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Kátia Flávia
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Filho de ministro do STF estava no comitê da Fifa que anulou cartão dos EUA após pressão de Trump

Francisco, filho de Gilmar Mendes, integra o Comitê Disciplinar da Fifa que liberou Folarin Balogun para enfrentar a Bélgica e abriu suspeita de interferência na Copa do Mundo

Kátia Flávia

06/07/2026 17h15

Francisco Mendes integra o Comitê Disciplinar da Fifa que anulou cartão de Balogun

Francisco Mendes integra o Comitê Disciplinar da Fifa que anulou cartão de Balogun

A polêmica sobre o cartão vermelho anulado de Folarin Balogun, atacante dos Estados Unidos, ganhou um novo ingrediente brasileiro. Francisco Schertel Mendes, filho do ministro Gilmar Mendes, integra o Comitê Disciplinar da Fifa, órgão responsável pela decisão que liberou o jogador após Donald Trump admitir que pediu à entidade a revisão da punição.

Eu estava sentada no lobby do hotel em Nova York, ainda matando tempo antes do voo da noite e tentando fingir normalidade depois do vexame do Brasil, quando apareceu essa história de Trump, Fifa, filho de ministro do STF e cartão vermelho anulado. Minha filha, eu olhei para a taça de água na mesa e pensei: a Copa acabou para a Seleção Brasileira, mas o tapetão internacional segue jogando com mais fôlego que muito volante brasileiro.

Donald Trump admitiu que pediu à Fifa a revisão da expulsão do jogador dos EUA
Donald Trump admitiu que pediu à Fifa a revisão da expulsão do jogador dos EUA

Segundo o portal LeoDias, Francisco Mendes integra o Comitê Disciplinar da Fifa desde maio de 2021, escolhido pela CBF. Em 2025, ele foi reconduzido ao cargo na renovação dos membros do órgão. O comitê é responsável por analisar punições e recursos disciplinares, como o caso do cartão vermelho de Balogun.

O detalhe venenoso é que a decisão veio depois de Trump admitir que ligou para Gianni Infantino, presidente da Fifa, para pedir a revisão da expulsão. O presidente dos Estados Unidos disse que não mandou a entidade fazer nada, apenas pediu uma revisão. Claro. Só uma ligação casual do homem mais poderoso do país-sede para falar de um cartão vermelho. Coisa íntima, quase grupo de pelada.

A Fifa não divulgou os detalhes da decisão nem o voto de cada integrante do comitê. Portanto, não é possível saber qual foi a posição de Francisco Mendes no caso. Mas o simples fato de o filho de Gilmar Mendes estar no órgão que tomou a decisão já bastou para transformar o episódio em prato cheio de bastidor.

A relação da família Mendes com o futebol também não para aí. A CBF mantém contrato milionário com o IDP, instituto de ensino que tem Gilmar Mendes como sócio, para operacionalização da CBF Academy, braço educacional da entidade. Ou seja: não estamos falando de uma porta isolada, mas de um corredor inteiro de conexões entre futebol, poder e instituições.

Enquanto isso, Raphael Claus, árbitro brasileiro que expulsou Balogun após revisão no VAR, virou alvo direto de Trump. O presidente norte-americano chamou o juiz de “horrível” e insinuou que ele seria “suspeito”, sem apresentar prova concreta.

A CBF saiu em defesa de Claus em nota dura, afirmando que o árbitro é reconhecido mundialmente, tem trajetória marcada por excelência técnica e conduta ética, e que não há em seu histórico qualquer elemento que sustente suspeita. A entidade também disse refutar qualquer insinuação contra a integridade do profissional.

E aqui o babado fica completo: Trump pressiona, a Fifa anula, a Bélgica reclama, a CBF defende o árbitro, e no comitê que tomou a decisão aparece um brasileiro ligado a uma das famílias mais influentes do Judiciário. Se isso não tem cara de novela de bastidor, eu não sei mais o que tem.

Filho do ministro Gilmar Mendes, Francisco Mendes foi indicado pela CBF ao órgão disciplinar da Fifa e reconduzido ao posto em 2025
Filho do ministro Gilmar Mendes, Francisco Mendes foi indicado pela CBF ao órgão disciplinar da Fifa e reconduzido ao posto em 2025

A Fifa insiste que seus órgãos disciplinares são independentes. Infantino também afirmou que respeita as decisões internas, mesmo quando discorda. Mas, depois de uma ligação de Trump e de uma punição revertida justamente para beneficiar os Estados Unidos, a palavra “independência” entra em campo com tornozeleira de suspeita.

A pergunta que fica é simples e incômoda: quem realmente decidiu a liberação de Balogun? O regulamento, o comitê ou o peso político de uma ligação vinda da Casa Branca? Porque, se até cartão vermelho agora precisa passar pelo telefone presidencial, a Copa não tem VAR. Tem central de atendimento.

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