Neymar comprou a mansão onde mora em Santos sem visitar pessoalmente o imóvel, segundo relato do empresário Luiz Moura ao podcast Fala, Lazinho. O antigo dono da casa contou que a negociação foi conduzida por um intermediário ligado ao jogador e que o pagamento foi feito por PIX no dia da assinatura da escritura.
Eu mal tinha largado a bolsa em casa e já estava tentando transformar a sala em escritório de guerra, com notebook aberto, carregador disputando tomada e uma reunião esperando minha cara menos pós-almoço, quando apareceu essa compra de Neymar em Santos. Parei no meio da senha do Wi-Fi, porque tem negócio que não é compra, é abdução imobiliária. O homem viu a casa por chamada de vídeo, mandou pagar e ainda levou as motos. Isso não é mercado de luxo, é carrinho de compras com vista para o mar.

Luiz Moura, empresário da construção civil, contou que nunca havia pensado em vender a mansão no Morro Santa Terezinha, área nobre de Santos. Segundo ele, um corretor apareceu perguntando se havia interesse. Moura disse que jogou o preço “lá em cima”, sem acreditar muito que aquilo avançaria. O corretor, no entanto, respondeu que estava fechado e perguntou se poderia levar o comprador no dia seguinte.
Na manhã seguinte, apareceu um rapaz “meio magrinho”, segundo o empresário. Moura achou que ele não compraria nada. O visitante pediu para filmar a parte externa da casa, que tem vista para o mar, piscina com borda infinita, paredes de vidro, jardim, academia e decoração sofisticada. Durante a chamada de vídeo, chamou alguém de “Ney”. A ficha caiu: era Neymar do outro lado da tela.
Eu adoro essa cena porque ela tem todos os elementos do Brasil premium: um vendedor desconfiado, um parça filmando a vista, um craque milionário decidindo mansão por vídeo e um corretor que provavelmente saiu dali flutuando. Tem gente que pensa três meses para comprar sofá. Neymar compra casa como quem escolhe mesa no restaurante: gostou da vista, manda fechar.
O negócio avançou em menos de uma semana. Moura contou que, no dia de assinar a escritura, ficou receoso porque não assinaria nada sem o dinheiro na conta. Segundo ele, não houve contraproposta, choro, barganha ou discussão de preço. Quando o advogado falou sobre o pagamento, veio a ligação e o PIX caiu. “Ele fez o PIX e saí só com a roupa do corpo”, relatou o empresário.
E não foi força de expressão. Neymar comprou a casa de porteira fechada, com móveis, eletrodomésticos, louças, roupa de cama, banho e tudo que estava dentro. Aquele tipo de compra em que o antigo dono não vende só o imóvel, vende a rotina, o cheiro da sala e quase o controle remoto perdido no sofá. Se bobear, até a senha da Netflix foi junto na energia do contrato.
Mas o capítulo mais absurdo veio depois: as motos. Segundo Luiz, havia cerca de 15 ou 16 motos do filho dele no local, modelos de colecionador que inicialmente não estavam incluídos na negociação. O parça que fazia o vídeo perguntou se Neymar queria ver. O jogador viu e mandou comprar também. O filho de Luiz achou que era blefe para conseguir desconto na casa, passou um preço e ninguém reclamou.
Na coleção, segundo o Extra, havia modelos como Ducati 916 1994, Honda CBR 1000RR Fireblade Repsol, Honda CBR 1100XX Super Blackbird 1997, MV Agusta F4 750 2000, Suzuki GSX 1300R Hayabusa, Yamaha YZR F1 e Kawasaki Ninja ZX 7R. Eu li essa lista e pensei: isso não foi venda de mansão, foi saque autorizado de garagem de rico. O homem entrou por vídeo e saiu com casa, academia, louça, toalha e frota.
O condomínio fica em uma área de luxo de Santos que já teve Pelé como morador por um período. Uma mansão de 2.800 m² na região pode chegar a R$ 35 milhões. Neymar ainda mantém outras propriedades, como uma casa no Guarujá e outro imóvel em Santos, mas escolheu essa residência por ser mais prática para a nova rotina.

O detalhe que amarra tudo é que Luiz Moura disse nunca ter encontrado Neymar pessoalmente. Vendeu a mansão, entregou tudo, viu as motos irem no pacote e, ainda assim, o comprador ficou do outro lado da chamada. É a economia Neymar: presença física opcional, PIX obrigatório.
Eu entrei na reunião com cinco minutos de atraso e a certeza de que, se um dia Neymar cansar do futebol, pode abrir uma modalidade nova de consumo: compra por parça. O amigo visita, filma, mostra, ele aprova, paga e leva até o que não estava à venda. A gente chama de impulso. Ele chama de quarta-feira.