Virginia Fonseca virou alvo de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios contra publicidades de jogos de azar. O órgão acusa a influenciadora e a casa de apostas Blaze de induzirem seguidores ao erro e pede indenização mínima de R$ 120 milhões por danos morais coletivos.
Eu já tinha tirado o bolo de cenoura do forno, deixado a casa com aquele cheiro perigoso de “só mais um pedaço” e aberto o notebook para fingir disciplina antes das reuniões, quando a bomba da Virginia apareceu na tela. Parei com a faca no meio do corte e falei sozinha: R$ 120 milhões? Minha filha, isso não é processo, é orçamento de novela das nove com elenco internacional.

Segundo a ação, a influenciadora teria atuado como “braço operacional da captação” da casa de apostas, “executando a mensagem enganosa e induzindo à aposta”. A petição foi protocolada na quarta-feira (8), no Tribunal de Justiça do Distrito Federal, e tramita na 7ª Vara Cível de Brasília.
O promotor Paulo Roberto Binicheski sustenta que influenciadores digitais não vendem apenas produto, mas confiança. Para o Ministério Público, quando uma figura com milhões de seguidores recomenda um serviço, a recomendação passa a funcionar como uma espécie de selo de aprovação, com potencial de influenciar diretamente o comportamento do público.
E aí mora o babado grosso. Porque uma coisa é postar publi de batom, base, roupa ou look de aeroporto. Outra é empurrar aposta com promessa de lucro fácil para uma audiência que, muitas vezes, entra achando que está diante de uma dica esperta, não de um risco financeiro embrulhado em story bonito.
A ação também pede tutela de urgência para retirar do ar propagandas com promessas de ganhos irreais ou publicidade disfarçada. O Ministério Público afirma que o valor de R$ 120 milhões foi calculado considerando a dimensão econômica da atividade, a repercussão social da conduta e o potencial lesivo da publicidade irregular.
O documento ainda cita campanhas feitas durante a Copa e menciona especificamente o jogo entre Argentina e Cabo Verde como exemplo de indução ao erro. Para a promotoria, o caso mostra como esse tipo de propaganda pode atingir o consumidor em um momento de alta exposição social, quando todo mundo está grudado no celular, comentando jogo, fazendo bolão e sendo bombardeado por promessa de dinheiro rápido.

Eu fico imaginando o print dessa petição chegando no grupo dos advogados e o silêncio tomando conta. Porque R$ 120 milhões não é susto pequeno, é aquele tipo de valor que faz até ring light apagar sozinha. Virginia construiu um império com publicidade, beleza, família, reality e carisma digital, mas agora o Ministério Público está dizendo que influência também cobra conta.
Até o momento, o Judiciário ainda não tomou decisão sobre o caso. Mas a ação já coloca no centro da discussão uma pergunta que o mercado de influenciadores finge que não vê: até onde vai a responsabilidade de quem lucra vendendo confiança para milhões de pessoas?