Se você tem percebido uma queda drástica no seu desejo sexual, saiba que a culpa pode não ser do cansaço do trabalho, do tempo de casamento ou da correria com os filhos. Na verdade, o seu próprio corpo pode estar gritando por socorro através do que você coloca no seu prato. Para a nutricionista Daniela Leda Gesteira, especialista em saúde feminina e emagrecimento sem radicalismo, a falta de libido é um dos principais sinais de que o organismo feminino está inflamado, exausto e desnutrido. E a maioria das mulheres continua ignorando esse alerta.
No dia a dia do seu consultório e nas redes sociais, onde incentiva mães e mulheres reais a retomarem o autocuidado sem neuras, Daniela percebe um padrão preocupante de normalização do cansaço e da busca por soluções milagrosas. No entanto, o desejo sexual feminino funciona como um termômetro da saúde e, para a especialista, não deve ser visto apenas sob a ótica da sexualidade.

“A libido pode ser um importante indicador da saúde geral da mulher, porque ela está diretamente relacionada ao equilíbrio físico, hormonal e emocional”, explica.
Daniela destaca que o corpo feminino funciona de forma integrada. Quando a mulher enfrenta períodos prolongados de estresse, noites mal dormidas, alimentação inadequada e excesso de responsabilidades, o organismo passa a priorizar funções essenciais de sobrevivência. Como consequência, o desejo sexual tende a diminuir.
“Muitas vezes, a queda da libido não é um problema isolado, mas um sinal de que o organismo não está funcionando em equilíbrio. Fatores como qualidade do sono, saúde intestinal, autoestima, ansiedade e até carências nutricionais podem interferir diretamente no desejo sexual feminino. Por isso, sempre digo que a libido não deve ser vista apenas como uma questão sexual, mas como um reflexo da saúde e da conexão da mulher com o próprio corpo”, afirma.
O que a alimentação tem a ver com o desejo sexual?
Embora muitas mulheres busquem respostas apenas em questões hormonais ou emocionais, a alimentação também desempenha um papel importante nesse processo. Nutrientes como zinco, magnésio, ferro, vitamina D, vitaminas do complexo B e gorduras boas participam da produção hormonal, da circulação sanguínea, da saúde cerebral e da formação de neurotransmissores ligados ao prazer e ao bem-estar, como serotonina e dopamina.
Quando há carências nutricionais, o corpo costuma responder com sinais que vão além da balança. Cansaço frequente, alterações de humor, baixa disposição, dificuldade para dormir, queda de cabelo, alterações menstruais e redução da libido indicam que algo precisa de atenção.
“Por isso, eu sempre reforço que a alimentação não influencia apenas o peso corporal. Ela influencia o funcionamento do corpo inteiro”, destaca a nutricionista.
Outro ponto de alerta são os processos de emagrecimento baseados em restrições severas. De acordo com Daniela, dietas extremamente restritivas podem provocar impactos negativos na saúde hormonal e sexual feminina. Isso acontece porque o organismo interpreta a restrição alimentar como uma ameaça, reduzindo gastos energéticos e alterando mecanismos ligados à produção hormonal, à disposição física e ao humor.
“Eu sempre reforço que emagrecimento saudável não deve significar sofrimento ou privação extrema. O corpo feminino precisa de equilíbrio, nutrição e cuidado para funcionar bem, inclusive na saúde sexual”, pontua Daniela.
Considerada uma defensora do emagrecimento sem radicalismos, a nutricionista ressalta que manter uma relação mais leve com a alimentação também favorece a autoestima e a conexão da mulher com o próprio corpo.
“Muitas mulheres vivem em constante autocrítica, insatisfação corporal e pressão estética, e tudo isso afeta a confiança, o prazer e até o desejo sexual”, ressalta.
Maternidade, sobrecarga e autocuidado em segundo plano
Entre as mulheres que mais relatam queda na libido estão mães e profissionais que acumulam múltiplas jornadas. Segundo Daniela, a sobrecarga faz com que muitas deixem a própria saúde em último lugar.
É comum que essas mulheres passem horas sem se alimentar adequadamente, recorram a alimentos ultraprocessados, durmam pouco e convivam diariamente com altos níveis de estresse.
“Com o tempo, o corpo sente esse desgaste. A energia diminui, os hormônios podem sofrer alterações, o cansaço aumenta e o desejo sexual acaba sendo afetado.”
Ela ressalta que o problema se agrava quando a mulher perde os momentos de conexão consigo mesma.
“Além disso, quando a mulher perde momentos de autocuidado e conexão consigo mesma, ela também pode acabar se desconectando do próprio corpo e da própria sexualidade”, complementa.
A libido não deve ser ignorada
Para Daniela Gesteira, a normalização da ausência de desejo sexual pode fazer com que sinais importantes da saúde feminina passem despercebidos por anos.
“Entre os sinais mais comuns estão cansaço excessivo, alterações de humor, ansiedade, dificuldade para dormir, queda de cabelo, inchaço, alterações menstruais, compulsão alimentar, dificuldade para emagrecer, baixa disposição e também a diminuição da libido”, explica.
A especialista reforça que não existe um alimento milagroso capaz de aumentar a libido de forma isolada. Ela também ressalta que as flutuações são normais em fases intensas como o pós-parto ou a menopausa, mas que a exaustão prolongada precisa ser investigada. Por isso, o segredo está na construção de hábitos que promovam equilíbrio físico e emocional.
“Eu gostaria que as mulheres entendessem que o corpo fala o tempo todo e a libido também é um reflexo da saúde física, emocional e hormonal”, alerta.

Para recuperar a energia e o desejo, o primeiro passo prático é olhar para a própria rotina com mais afeto e menos cobrança, diminuindo o açúcar, limpando a alimentação dos excessos de industrializados e procurando ajuda profissional para avaliar taxas nutricionais.
Afinal, como resume Daniela Gesteira, “a queda do desejo não é falta de interesse, mas um sinal de sobrecarga, cansaço, estresse e desconexão consigo mesma”.