Gente, estava numa chamada de vídeo com o pessoal da BYD, tomando aula completa sobre o império que essa chinesa está montando, e não consegui desgrudar da tela. No Goodwood Festival of Speed, o Grupo BYD armou um estande de dois mil metros quadrados reunindo BYD, Denza e Yangwang, e a estrela da vez foi o Yangwang U9 Xtreme, hoje o carro de produção mais rápido do mundo, com mais de três mil cavalos de potência e recorde de velocidade batido em setembro de dois mil e vinte e cinco, absurdos quatrocentos e noventa e seis quilômetros por hora. Isso não é carro, é míssil com estofado de couro.
Enquanto isso, a Yangwang bancou o desfile de luxo com o U8L, um SUV robusto e tecnológico, e o sedã U7, que atravessou de carro, rodando, todo o trajeto desde a China até o Reino Unido, só pra provar que a suspensão ativa DiSus-Z aguenta qualquer buraco de estrada e ainda recarrega bateria com a irregularidade do piso. A marca nasceu em dois mil e vinte e três pra brigar de igual pra igual com Bentley, Ferrari e Porsche, e na China o U8 já sai por cerca de cento e quarenta mil euros e o U9 por perto de duzentos e quinze mil, então imagina o climão que essa entrada na Europa vai causar nos escritórios de Maranello e Stuttgart.

E não é só na realeza que a BYD está dando close. No Brasil, a marca fechou maio faturando recorde histórico, subindo pela primeira vez ao top quatro geral de vendas com vinte e um mil setecentos e quatro emplacamentos e oito vírgula cinco por cento de participação de mercado, e ainda lidera o varejo puxada pelo Dolphin Mini. Globalmente o grupo já soma um vírgula quatro milhão de veículos vendidos só nos cinco primeiros meses do ano, e mais de dezesseis milhões e meio de eletrificados desde que começou a operação, número de dar inveja pra qualquer fundo de private equity.
Aqui do lado de fora do estande, entre a picape Shark estreando no mercado europeu e o compacto Dolphin G com autonomia de mil e quarenta quilômetros, dava pra sentir o gostinho de novela chinesa engolindo elenco europeu inteiro. A estratégia é clara, replicar o modelo Volkswagen de multimarcas, só que em versão turbinada e sem pudor nenhum de disputar o playground dos bilionários.

Chinesa que chega devagarinho vendendo carro barato e sai batendo recorde de velocidade em Goodwood não é sorte, é plano de dominação executado com precisão de coreografia de Copacabana Palace, e quem acha que isso é modinha passageira devia estar prestando mais atenção nas planilhas.