José Roberto Burnier publicou um vídeo no Instagram diretamente do Hospital Sírio-Libanês mostrando os curativos e informando que levou quatro pontos na mão, além de ferimentos nos braços e pernas. Calmo, objetivo, no tom de quem cobre crise alheia há décadas e finalmente protagonizou uma. Disse que estava bem, agradeceu as mensagens e pediu responsabilidade das pessoas com seus animais.
O episódio tem um detalhe que ninguém deixou passar: o próprio dono do pitbull entrou nos comentários para dizer que o cão era dócil, que nunca havia atacado ninguém, e que mesmo assim sempre saiu de guia e focinheira. Ou seja, o responsável fez tudo certo. Quem estava sem guia e sem focinheira era o outro animal que provocou o ataque. O debate virou rapidamente, no X e nos comentários do Instagram de Burnier, uma guerra campal entre tutores de raças consideradas perigosas e quem quer regulamentação mais severa.

A reação dos colegas de imprensa foi imediata e calorosa. Márcio Gomes, Betão Vital e Márcia Lupia estavam entre os primeiros a comentar publicamente, cada um com sua leitura do caso. Betão até aproveitou para defender a raça com a propriedade de quem também tem pitbull em casa. Já Márcia Lupia sugeriu que o tema entrasse na pauta do próprio SP2. Assessoria de imprensa nem precisou se mover: a solidariedade corporativa da Globo cuidou da narrativa sozinha.
Eu estava terminando o café no Café Tortoni, em Buenos Aires, quando a notificação apareceu no celular. Mala do lado, já quase na hora de ir para o aeroporto, e mesmo assim parei tudo para ler o thread inteiro.
Burnier fez exatamente o que um jornalista experiente faz numa situação dessas: controlou a narrativa, postou antes que alguém postasse por ele e transformou um susto pessoal num alerta de utilidade pública. Profissional até na maca. A pergunta que fica, e que o próprio Burnier deixou no ar, é simples: cadê o dono do cão que atacou?