Minha gente, eu estava lá, de coração pelo menos, no Brasília Tech Summit, o evento mais glamouroso da temporada tech-jurídica do país, e posso dizer que foi o reality mais tenso do semestre. Quatrocentos e cinquenta pessoas. Quarenta e três palestrantes. Catorze painéis. E um único drama central que a gente fingiu que era debate técnico mas era, na prática, um capítulo de novela das oito: quando é que esse país vai regulamentar a Inteligência Artificial?
O Congresso já está naquele personagem clássico de telenovela, o que promete, adia, promete de novo e coloca a culpa nos outros. Hugo Motta, presidente da Câmara, apareceu no evento com o texto mais gostoso de interpretar: “o Parlamento não pode mais tardar.” Meu bem, dito por parlamentar em evento de luxo, essa frase tem exatamente o mesmo peso emocional de ouvir “a gente precisa conversar” de ex que sumiu três semanas. A gente sabe como termina. Mas Motta foi além e prometeu o relatório da comissão especial ainda em junho. Anota na agenda, coloca alarme e reza pra São Painel Digital.
Enquanto isso, o verdadeiro casting da temporada estava todo presente: Fábio Coelho, o Ken do Google Brasil, defendendo regulação “saudável”, que na língua das big techs significa regula, mas não demais, tá bom? Juliana Sztrajtman, a CEO da Amazon Brasil, ali firme representando o Império das Compras. E Bruno Lewicki, o Embaixador da OpenAI no Brasil, que apareceu pra lembrar que enquanto a gente debate, o mundo já foi. O ex-presidente do STF Luís Roberto Barroso também esteve por lá e a presença dele num evento sobre regulação de IA é o tipo de coisa que a Faria Lima leria como sinal de que o assunto subiu de andar no elevador do poder.
Tatiana Matos, presidente da BlaBlaCar, falou sobre economia criativa e disse que o brasileiro precisa de tecnologia “desde necessidades básicas até lazer e entretenimento.” Tradução: a gente quer Netflix barato e Pix funcionando, por favor. Já Fernanda Pascale, diretora jurídica do QuintoAndar, que eu já apelidei de Baronesa do Aluguel Digital, mostrou como a tecnologia viabilizou um direito que ninguém achava possível: alugar imóvel sem fiador, sem patrimônio, sem sangue de primogênito como garantia. O evento é do Guilherme Amado, do Amado Mundo, que falou em devolver ao jornalismo o papel de esfera pública. Bonito. Eu assino. E aproveito pra lembrar que esfera pública sem champagne é só reunião de condomínio.
O Brasil está naquele momento de novela em que todo mundo sabe o que precisa ser feito, os personagens principais estão na mesma sala, a trilha sonora é dramática e alguém ainda vai empurrar a decisão pro próximo capítulo. Junho, Hugo. Junho. A gente está de olho.