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Kátia Flávia
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Bastidores da Globo: Edson Celulari expõe realidade dura após fim dos contratos longos

Ator falou no Sem Censura sobre a instabilidade da carreira artística, relembrou período de vínculos fixos na emissora e disse que, hoje, profissionais precisam recomeçar do zero a cada trabalho

Kátia Flávia

09/07/2026 14h15

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Edson Celulari falou no Sem Censura sobre dificuldades da carreira artística.

Edson Celulari falou sobre as dificuldades enfrentadas por atores após o fim dos contratos longos na Globo. Em participação no Sem Censura, da TV Brasil, o artista afirmou que teve o privilégio de viver uma época de vínculos mais estáveis na emissora, mas disse que a realidade atual da profissão é dura.
Eu continuava em casa, com uma mão sendo feita e a outra tentando responder mensagem sem borrar tudo, quando ouvi Edson Celulari falando que a vida de ator é difícil e que, hoje, termina um trabalho e começa tudo do zero. A manicure levantou os olhos como quem entendeu a frase em nível espiritual. Eu também. Porque a gente olha para ator famoso e imagina camarim eterno, mas o boleto, meu amor, não aplaude trajetória.

No programa comandado por Cissa Guimarães, Celulari lembrou que seu pai teve resistência em aceitar sua escolha pela carreira artística até entender que aquilo era uma vocação. Ao aconselhar quem deseja seguir esse caminho, o ator foi direto: é preciso não desistir. Segundo ele, é difícil e sempre será.
A frase mais forte veio quando o veterano comparou o período em que tinha contratos longos na Globo com o cenário atual. “Tive o privilégio de pegar uma época da Globo em que tínhamos contratos mais longos, mas a realidade de um ator, a questão de trabalho, é muito dura. No mundo inteiro é assim. Termina um trabalho, começa do zero novamente”, disse.

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Ator relembrou época de contratos longos na Globo e disse que realidade atual é dura.

E é aí que a glamourização da TV cai do salto. Durante décadas, contrato fixo na Globo era quase um crachá de estabilidade artística. O ator entrava numa novela, emendava participação, fazia especial de fim de ano, surgia no Domingão e o público achava que aquela vida vinha com salário, segurança e cafezinho eterno no Projac. Só que a nova lógica virou outra: obra certa, vínculo curto, projeto específico e depois cada um por si no purgatório das escalações.

Cissa Guimarães também entrou no assunto e falou da diferença entre a segurança de um trabalho na Globo e a realidade do teatro. Ela ressaltou que, nos palcos, o dinheiro é menor, embora existam incentivos importantes como a Lei Rouanet. É aquela verdade que o público às vezes finge não saber: teatro dá prestígio, dá alma, dá aplauso. Mas nem sempre dá conta do cartão.

Celulari está em cartaz no Rio de Janeiro com a peça O Beijo no Asfalto e reforçou que o audiovisual vive um momento difícil. Segundo ele, contratos mais longos, antes comuns, estão cada vez mais raros. O mercado ficou mais aberto, mas também mais instável. Traduzindo para quem não é do meio: tem mais porta, mas quase nenhuma com garantia de ficar destrancada por muito tempo.

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Celulari está em cartaz no teatro com O Beijo no Asfalto, no Rio de Janeiro,

Eu acho importante ouvir isso vindo de alguém como Edson Celulari, porque não estamos falando de iniciante tentando furar fila. Estamos falando de um nome conhecido, com décadas de carreira, novelas marcantes, teatro, cinema, TV e ainda assim olhando para o mercado com realismo. Se para ele a conversa é dura, imagine para quem está começando agora com teste por vídeo, cachê apertado e concorrência de influencer que aprendeu a chorar no TikTok.
Celulari foi um dos veteranos que perderam contrato fixo com a Globo nos últimos anos, dentro da política da emissora de abandonar vínculos longos e apostar em contratos por obra. Ele seguiu trabalhando na casa em projetos específicos, como Fuzuê, exibida entre 2023 e 2024, além de se dedicar ao teatro e ao cinema.

Essa mudança mexeu com a paisagem inteira da televisão brasileira. A velha companhia de atores da Globo, aquele elenco que parecia morar dentro da emissora, foi se dissolvendo. Hoje, cada novela monta seu time, chama veteranos por período, aposta em nomes novos, testa gente de streaming, de internet, de teatro, de tudo quanto é canto. Para o público parece renovação. Para o artista, muitas vezes, parece chão escorregando.
Eu terminei de ouvir o desabafo olhando para a unha secando e pensando que a frase de Celulari vale para muita gente fora da arte também. O mundo vende flexibilidade como liberdade, mas às vezes é só instabilidade com crachá moderno. No caso dos atores, a cortina abre, a cena termina, o aplauso vem. Depois disso, começa a parte que ninguém vê: procurar o próximo trabalho.

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