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Kátia Flávia
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Anitta na Copa do Mundo, no Lolla Berlim e a turnê que esqueceu o Rio

A cantora anuncia cinco shows da “Equilibrivm Tour” em agosto, mas reserva os 60 dias anteriores para abrir a Copa do Mundo em Los Angeles e subir ao palco do Lollapalooza em Berlim. Niterói entra no roteiro. O Rio de Janeiro, não.

Kátia Flávia

28/05/2026 13h45

Entre abertura da Copa do Mundo, palco no Lollapalooza Berlim e turnê nacional, Anitta vive uma das fases mais globais da carreira — mas deixou o Rio de Janeiro fora da rota. - Reprodução

Entre abertura da Copa do Mundo, palco no Lollapalooza Berlim e turnê nacional, Anitta vive uma das fases mais globais da carreira — mas deixou o Rio de Janeiro fora da rota. – Reprodução

Saí da academia no Leblon ainda com o fone no ouvido quando o celular vibrou com a novidade: Anitta acabara de confirmar as datas da “Equilibrivm Tour”. Cinco cidades, agosto inteiro, ingressos à venda hoje ao meio-dia direto pelo perfil da turnê no Instagram. A notícia chegou rápido, os fãs reagiram mais rápido ainda, e o Google Trends fez o que o Google Trends faz quando Anitta mexe com ingresso.

Mas o detalhe que prende a atenção de qualquer um que acompanha essa carreira de perto não está nas datas de agosto. Está no que vem antes. Em 12 de junho, Anitta abre a Copa do Mundo em Los Angeles ao lado de Katy Perry, Future, Tyla, Rema e Lisa, do BLACKPINK, no SoFi Stadium. Em 19 de julho, sobe ao palco do Lollapalooza em Berlim. No dia 1º de agosto, está em Porto Alegre inaugurando a turnê nacional. São 60 dias em que ela passa de cerimônia global de abertura do torneio mais assistido do planeta a festival europeu a capital gaúcha, sem parar para respirar — e aparentemente sem parar para lembrar onde nasceu.

O roteiro da “Equilibrivm Tour” passa por Porto Alegre, São Paulo, Fortaleza, Niterói e Salvador. Quem conhece o mapa vai notar na hora: Niterói está lá, o Rio de Janeiro não. As duas cidades se olham pela Baía de Guanabara há séculos, mas só uma delas ganhou data na turnê da cantora mais famosa do país. A equipe não explicou a escolha e provavelmente não vai explicar. Pode ser questão de arena, pode ser estratégia de mercado, pode ser que ela simplesmente prefira encarar o público fluminense pela orla e não pela Zona Oeste. O fato é que o Rio vai assistir a esse show do outro lado da baía.

Outro movimento que passou despercebido na avalanche de posts sobre ingressos é o canal de venda. A equipe concentrou tudo no perfil @equilibrivm, criado exclusivamente para a turnê, sem Sympla, sem Ticketmaster, sem intermediário de plataforma aparente. É uma aposta no controle direto da audiência, no dado do fã como ativo da própria artista e não de uma empresa de ticketing. Pequeno detalhe técnico com implicação grande: quem comprar ingresso por ali entra no universo de dados da era “Equilibrivm”, não no banco de uma plataforma terceirizada.

Anitta abriu 2026 como a primeira brasileira a se apresentar como atração musical no Saturday Night Live, lançou um álbum gravado dentro de casa com Shakira, Liniker e Marina Sena, assinou a música oficial da Copa do Mundo e agora fecha o ciclo com cinco shows que percorrem o Brasil de Porto Alegre a Salvador em quatro semanas. O Rio ficou de fora. Niterói agradece. E o mundo, já rendido, nem precisa mais de explicação.

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