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Kátia Flávia
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Ana Paula Renault reage a Paulo Figueiredo e defende liberdade do voto feminino

Jornalista criticou fala de que mulheres “votam mal” e afirmou que o voto não pertence ao marido, ao pai, ao padre, ao pastor ou a qualquer partido

Kátia Flávia

07/07/2026 8h22

Ana Paula Renault rebateu Paulo Figueiredo após fala sobre voto feminino

Ana Paula Renault rebateu Paulo Figueiredo após fala sobre voto feminino

Ana Paula Renault publicou um vídeo nas redes sociais para rebater Paulo Figueiredo após declarações sobre o voto feminino. A jornalista criticou a fala de que mulheres “votam mal” e afirmou que esse tipo de discurso não deve ser tratado apenas como provocação de internet, mas como sinal de tentativa de diminuir a liberdade política das eleitoras.

Eu estava no carro, saindo do Galeão rumo ao Cosme Velho, com a mala no porta-malas, o corpo jurando que ainda estava em Nova York e o sol frio do Rio de Janeiro batendo na janela, quando o vídeo da Ana Paula apareceu no celular. Eram 19 graus, céu limpo, aquela manhã bonita que engana a gente, e eu pensei: nada como voltar ao Brasil e já encontrar Paulo Figueiredo querendo ensinar mulher a votar. Nem o jet lag merecia isso.

Jornalista afirmou que ataques ao voto das mulheres revelam “medo do nosso poder”
Jornalista afirmou que ataques ao voto das mulheres revelam “medo do nosso poder”

Logo no início da gravação, Ana Paula resumiu o ponto central do incômodo. “Quando alguém diz que mulher vota mal, o problema não é o nosso voto, é o medo do nosso poder”, afirmou.

Na sequência, ela mencionou que um brasileiro investigado que vive nos Estados Unidos afirmou que mulheres votam mal e disse que mulheres casadas deveriam acompanhar o voto do marido. Para Ana Paula, a lógica por trás desse tipo de fala é antiga: a mulher só seria considerada “boa eleitora” quando vota pela cabeça de um homem.

“Isso, gente, não é frase solta, não. Não é só provocação de internet, não é exagero nosso. É um sinal”, declarou.

A jornalista também relacionou o debate ao cenário internacional. Ela citou um episódio nos Estados Unidos em que o chefe do Pentágono teria compartilhado um vídeo defendendo a revogação da 19ª Emenda, que garantiu o voto feminino no país. Para Ana Paula, quando esse tipo de ideia passa a circular com naturalidade, é preciso prestar atenção.

E eu assino embaixo. Primeiro dizem que é brincadeira, depois que é opinião, depois que é “debate de ideias”. Quando a gente percebe, estão tentando devolver mulher para uma caixinha que já foi desmontada na base de luta, voto, trabalho e muita paciência com homem convencido.

Ana Paula lembrou que as mulheres conquistaram o direito ao voto no Brasil em 1932 e que isso não foi favor, mas resultado de mobilização. Ela também destacou que o eleitorado feminino representa mais de 82 milhões de pessoas, quase 53% dos eleitores brasileiros.

“Nós somos maioria. E talvez seja exatamente por isso que assuste tanto”, disse.

No vídeo, ela reforçou que o medo real não é de mulher votar mal, mas de mulher votar livre. “Mulher que pensa, escolhe; mulher que pesquisa, decide; mulher que entende o próprio poder, muda o rumo de uma eleição”, afirmou.

Em ano eleitoral, Ana Paula defendeu que a resposta não seja apenas indignação, mas consciência: pesquisar, comparar propostas, escutar mulheres, apoiar mulheres e observar quem quer ampliar direitos e quem começa tentando diminuir vozes.

Ana Paula defendeu que o voto da mulher pertence apenas à própria consciência
Ana Paula defendeu que o voto da mulher pertence apenas à própria consciência

No encerramento, ela cravou a frase mais forte do vídeo: “O nosso voto não pertence ao marido, o nosso voto não pertence ao pai, não pertence ao padre, não pertence ao pastor, não pertence a partido nenhum. O nosso voto pertence à nossa consciência”.

Eu ouvi isso no banco de trás do carro e quase pedi para o motorista aumentar o volume, porque tem coisa que precisa ecoar mesmo. Mulher livre incomoda porque não cabe em tutela. Não vota por obediência, não vota por medo, não vota porque mandaram na mesa de jantar. Vota porque pensa. E, quando pensa junto, muda eleição.

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