Foi minha fonte de cultura e turismo lá do Nordeste que me ligou desesperada perguntando se eu já sabia do que estava rolando em São Luís. O Teatro Arthur Azevedo, segundo mais antigo em funcionamento do Brasil, reabriu neste sábado depois de três décadas sem reforma de peso, com a Orquestra Filarmônica do Maranhão e a própria Alcione subindo ao palco recém-restaurado.
Eu fiquei arrasada de não ter puxado esse fio antes, porque esse teatro tem história de sobra para render coluna boa. Fundado em 1817, passou por três nomes até virar Arthur Azevedo em 1920, é tombado pelo Iphan desde 1974 e está dentro da área do Centro Histórico de São Luís que a Unesco reconhece como Patrimônio Mundial.

A reforma custou R$ 21 milhões e não foi só remendo estético. Trocaram poltronas originais, recuperaram cabos de caixa cênica e pisos históricos, instalaram climatização nova e um pacote generoso de acessibilidade, com plataforma elevatória, piso podotátil e sinalização em braile. Nas redes do Maranhão, a volta do teatro já estava sendo tratada como acontecimento do ano bem antes de eu descobrir.
Eu aqui em Manhattan, cercada de badalação de Copa do Mundo, e o Maranhão me dando uma aula de que cultura de verdade não precisa de fuso horário para brilhar. Alcione cantando em teatro bicentenário reformado é o tipo de notícia que vale mais que qualquer treta de gramado, e eu prometo nunca mais deixar passar batido.