Kelly Ikuma
Kelly.ikuma@jornaldebrasilia.com.br
O filhote de onça parda suçuarana capturado nesta terça-feira (16), em Planaltina (GO), terá a Fundação Zoológico de Brasília como o seu novo lar. Um ofício foi enviado nesta sexta-feira (20) para o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Ibama) para requisitar o felino. Apenas este ano, o Zoo acolheu, além da oncinha, quatro aves calopsitas, todos frutos de apreensão. De acordo com a superintendente de conservação e pesquisa (Sucop), Juciara Pelles, eles recebem em média dez animais por semana, cerca de 40 por mês.
Dados do Batalhão da Polícia Militar Ambiental revelam que em 2011 foram apreendidos 878 animais , um aumento de 31% em relação ao ano passado. Já a porcentagem de apreensões de aves teve uma alta surpreendente, de 103% este ano. De acordo com o tenente Dallago, os números se justificam pela intensificação do policiamento, como também, a qualificação freqüente dos profissionais.
Todos os animais apreendidos passam primeiramente pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) e, dependendo de seu estado de saúde, são encaminhados ao hospital veterinário do zoológico. “O centro não tem condições de tratar desses bichinhos, pois a maioria chega com muitos machucados, portanto, com a saúde comprometida. Após o tratamento, alguns são enviados novamente para o Cetas, que podem soltá-los em seu habitat natural, e outros ficam sob a nossa responsabilidade”, explica Juciara.
A aquisição desses novos hóspedes, apesar de gerar um custo a mais, não muda o planejamento orçamentário da fundação. “Fazemos sempre uma estimativa já contando com esse tipo de situação. Não podemos dizer que alteramos nossa rotina financeira com a chegada dessas apreensões, pois o gasto não é elevado”. Segundo Juciara, para administrar o local, eles contam com subsídio do Governo do Distrito Federal e arrecadação de fundos por meio de emendas parlamentares, pesquisas e outras atividades.
Complexo veterinário – O biólogo e chefe de coordenação dos mamíferos, Tiago Carpi, anunciou que está previsto para este ano o início das obras do Complexo Veterinário do Zoo, que deverá ser entregue em 2013. Segundo ele, apesar do zoológico ter atualmente um local específico para atender a demanda, já está ficando desatualizado. “O complexo, além de um hospital, terá laboratório, área cirúrgica, ambulatório e setor de necropsia. Hoje, temos que terceirizar a maioria dos exames”, afirma. Tiago revela que, para aguardar a construção dessa nova área de saúde, o espaço antigo passará por reformas.
Concurso público – E para atender a demanda desse complexo, está previsto um concurso público para o próximo ano. De acordo com a superintendente Juciara, eles ainda não sabem o número de vagas que serão abertas, mas que além de funcionários para esse novo espaço, eles precisam de pessoal para atender as outras áreas do zoológico. “A maioria dos funcionários que trabalham na área técnica hoje são terceirizados ou comissionados. Queremos um quadro de profissionais contratados para a fundação”, afirma.