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Vide Bula: AstraZeneca não menciona uso em grávidas

Em nota a farmacêutica afirma que grávidas ou mulheres que amamentam foram excluídas dos estudos clínicos

Foto: Justin Tallis/AFP

Catarina Lima e Cezar Camilo
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O fato da bula da vacina da AstraZeneca não mencionar o uso do imunizante em mulheres grávidas e da associação da vacina a efeitos adversos em algumas gestantes – com a morte de uma no Rio de Janeiro – fizeram com que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendasse a paralisação imediata da vacina neste grupo. Em nota, a AstraZeneca afirmou que ” mulheres que estavam grávidas ou amamentando foram excluídas dos estudos clínicos” da vacina.

O infectologista Hemerson Luz disse que estas questões foram determinantes para a decisão da Agência. O médico informou, no entanto, que as bulas das vacinas da Pfizer e da Moderna, ambas de laboratórios norte-americanos, recomendam a administração em grávidas. “Tanto a Pfizer quanto a Moderna usam a tecnologia do RNA Mensageiro”

De acordo com a Secretaria de Saúde do Distrito Federal, na capital 136.578 pessoas se cadastraram para a vacinação por comorbidades e 41.460 fizeram agendamento para receber o imunizante. Das 24 doenças listadas pelo Ministério da Saúde, o grupo de grávidas com comorbidades que fizeram o cadastro para serem vacinadas, ocupa a 14ª posição, com 1.236 mulheres e das quais 223 realizaram agendamento. O Jornal de Brasília solicitou à Secretaria o número de grávidas já vacinadas, mas o órgão informou que “não dispõe desse recorte específico”.

Logo após a Anvisa distribuir comunicado recomendando a paralisação da vacinação de grávidas com o imunizante da AstraZeneca, a SES distribuiu nota seguinte nota: “A secretaria de Saúde decidiu suspender a vacinação contra a covid-19 e o agendamento de grávidas até que as recomendações técnicas do Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde sejam encaminhadas. A orientação é que as gestantes aguardem para as novas recomendações”, disse a nota.

Efeitos adversos

Desde abril a Organização Mundial de Saúde explicou que ainda não existem informações suficientes para uma decisão definitiva sobre o uso do imunizante da AstraZeneca em grávidas. O Ministério da Saúde informou que investiga o caso de uma gestante do Rio de Janeiro que morreu depois de tomar a vacina da AstraZeneca.

CoronaVac

No capítulo “uso na gravidez e lactação”, a bula da CoronaVac dirigida ao paciente informa: “Este medicamento não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica ou cirurgião dentista”. E explica ainda: “Estudos em animais não demonstraram risco fetal, mas também não há estudos controlados em mulheres grávidas ou lactantes”.

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Há 14 dias, o Ministério orientou que grávidas, com ou sem comorbidades, e também puérperas passassem ao grupo prioritário de vacinação. Ao todo, estima-se que estes dois grupos reúnam mais de 3 milhões de mulheres.

Na manhã desta terça-feira (11), o estado de São Paulo, promotor da fabricação da CoronaVac no Brasil, por meio do Instituto Butantan, anunciou a suspensão temporária da vacinação de gestantes com comorbidades, prevista para começar hoje, “em virtude do comunicado da Anvisa”. A orientação da agência refere-se apenas à AstraZeneca/Oxford, mas o estado, bem como o Distrito Federal, decidiram pela suspensão geral, até nova orientação do Programa Nacional de Imunização.

Gestantes preocupadas

Uma leitora do Jornal de Brasília que preferiu não se identificar disse que tomou a primeira dose da vacina AstraZeneca. Ela mora no Rio Grande do Sul e relatou “um pouco de dores musculares no local da aplicação, mas nada significativo”. Ela está no terceiro mês de gestação e ressalta a preocupação com a nova orientação da Anvisa.

“Fiquei preocupada, assustada e um tanto revoltada com a suspensão. Preocupada pelo fato de não saber quais os reais efeitos sobre as gestantes; assustada pelo fato de também não saber o que está acontecendo em meu organismo; revoltada pelo fato de mesmo sabendo ” ou não ” dos riscos reais para gestantes dessa vacina fui orientada pela minha médica a fazer uso dela. Segundo ela, é mais fácil morrer de covid-19 do que morrer por efeito da vacina. Levando em conta que também possuo comorbidades.”

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Ela disse ao JBr que já procurou atendimento médico, mas que não apresenta nenhum sintoma adverso. O atendimento serviria como uma forma de “esclarecer” a situação da dona de casa, com 40 anos, que também é diabética e hipertensa. “Nos tempos em que vivemos, posso dizer que qualquer pessoa que trabalha fora, como é o caso do meu esposo, está também próximo ao risco de contaminação. Até mesmo em lotações. Está muito difícil nos esconder do vírus, uma vez que ainda há pessoas assintomáticas”, ressaltou a mãe de primeira viagem.






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