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Brasília

Vale dar palmadas para educar os filhos?

Arquivo Geral

10/03/2012 7h03

Kamila Farias
kamila.farias@jornaldebrasilia.com.br

O caso do pai que bateu violentamente no filho de apenas três anos, em um colégio da Asa Sul, trouxe à tona a discussão sobre o uso de métodos agressivos para educar os filhos. Conforme enquete feita no ClicaBrasília.com.br, portal do Jornal de Brasília, 55,82% das pessoas que responderam afirmam que dar palmada, chinelada e cintada é uma forma de dar educação e disciplina aos filhos. Atitudes que especialistas não concordam nem recomendam. Já 44,18% garantem que a agressão não deve fazer parte da disciplina familiar.

Na enquete sobre qual a melhor forma de educar os filhos no mundo de hoje, 67,11% dos que responderam afirmam que a fórmula ideal é um misto de castigo, conversa e palmadas. Em seguida, aparece apenas a conversa como melhor alternativa, com 20,94%.

A economista Jeane Duarte nunca encostou a mão em nenhum dos três filhos. “Com meu filho de 15 anos, fui mais rígida e cobrei mais. Depois que tive os gêmeos (hoje com sete anos), dei uma criação mais tranquila, senão iria enlouquecer, pois eram mais duas crianças. Mas eu e meu marido punimos cortando o que eles gostam e colocando de castigo, mas nunca batendo”, relata.

Sem tapas
Jeane usa o diálogo. Quando os filhos desobedecem, a primeira repreensão é um aviso. “Olho nos olhos deles e aviso que se continuarem fazendo, ficarão de castigo ou perderão algo que querem, como uma festa ou um brinquedo”, conta.

O segundo passo é o cantinho da disciplina. “Eles ficam sentados na cadeira por sete minutos. Se saírem antes, voltam e o tempo começa a ser contado novamente”, explica. A mãe usa várias maneiras para fazer com que os filhos entendam o que é certo e errado, mas conta que, de maneira alguma, parte para palmadas.

“Utilizo vários métodos, mas não bato, pois apanhei muito na minha infância e queria que fosse diferente com eles. Hoje, sinto que eles me respeitam mais do que eu respeitava minha mãe”, relata a mãe. Por isso, quando fica muito nervosa, ela usa o que chama de psicologia do banheiro. “Vou lá, grito, me acalmo e depois volto para colocar eles de castigo. Se você fica com raiva perto da criança, acaba batendo”, ressalta.

A psicóloga Soraya Pereira concorda com Jeane. Segundo ela, o adulto tem de se desviar da situação tensa quando estiver descontrolado. “Bater em uma criança é a última coisa que se faz em questão de descontrole. Ela vai respeitar por medo. A hierarquia não é questão de força, e sim, de determinação. A tendência a fazer perguntas e a agressão ocorre quando o adulto não tem mais argumentos”, afirma.

 

Leia mais na edição impressa deste sábado (10) do Jornal de Brasília.

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