Kamila Farias
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No dia de Natal, o Papai Noel desce pela chaminé e enche a árvore de presentes. Essa é a fantasia na qual muitas crianças acreditam. No mês de dezembro, a apreensão das crianças é grande para a chegada do dia em que vão receber do bom velhinho o presente tão sonhado. No entanto, esse encanto não dura para sempre e surge a questão sobre quando os pais devem conversar com os filhos sobre determinadas coisas, como a inexistência do Papai Noel, que os bebês não são trazidos por uma cegonha e, até mesmo, que o filho é adotado ou algum outro segredo de família.
Dependendo do assunto, especialistas afirmam que as respostas só devem ser dadas quando as crianças perguntarem. E é o que faz a professora Ana Maria Miranda com a filha Maria Eduarda, de cinco anos. “Eu a deixo perguntar e, dependendo do assunto, respondo a verdade. Mas, como ela é muito nova, tem assuntos que eu desvio. Por exemplo, todo ano o pai dela se veste de Papai Noel e ela o reconheceu no ano passado. Eu disse que têm pessoas que se parecem mesmo e que esse era o caso”, afirma.
Apesar de tentar amenizar a situação, a professora afirma que está cada vez mais difícil manter a fantasia. “As crianças, hoje em dia, descobrem as coisas muito cedo e é difícil a gente manter. No último Natal, ela pediu um patins, mas veio com o emblema de uma loja de brinquedos. Ela reconheceu e chamou o Papai Noel de preguiçoso, dizendo que ele comprou o presente dela”, relata.
No entanto, há 15 anos, Ana Maria teve uma atitude um pouco diferente. Seu primeiro filho, Pedro Miranda, 22 anos, na época com sete, pediu um kart para o Papai Noel. Sem dinheiro para dar o presente ao filho, preferiu revelar o segredo do bom velhinho.
“Ele já estava grandinho e não despertava. O presente que ele queria era financeiramente impossível, mas ele tinha a certeza que ia ganhar. Então, achei que se ele não ganhasse iria ser mais frustrante”, conta. Ana Maria diz que não se arrepende da atitude, mas acredita que marcou a vida do filho. “Na época não percebi que ele se frustrou, mas deve ter marcado, pois ele lembra até hoje”.
“Foi uma sensação esquisita, lembro que fiquei com a cara fechada, me senti como se tivesse sido enganado minha vida inteira. Foi tão estranho que pretendo não passar por isso quando eu tiver filhos. Tomara que eles descubram sozinhos”, revela Pedro.
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