Preocupado com a multiplicação dos focos do mosquito da dengue revelada em documento da Vigilância Ambiental, o chefe de gabinete da Reitoria, professor Davi Diniz, determinou que a prefeitura faça um mutirão de limpeza no campus Darcy Ribeiro para eliminar as larvas do Aedes aegypti. O trabalho começa na próxima terça-feira 13.
Vinte funcionários terceirizados removerão todo o entulho, madeira, baldes e latas com água parada de cada um dos 27 locais apontados como potenciais criadouros do inseto pelo órgão fiscalizador da Secretaria de Saúde do Distrito Federal.
Os trabalhadores limparão também os bueiros, as canaletas do subsolo do Minhocão e as caixas coletoras da água das chuvas da garagem da Colina, outros pontos identificados como críticos pelos fiscais.
O trabalho será feito com 20 conteineres e dois caminhões e concluído em duas semanas. “Vamos acionar tudo o que temos para limpar o campus”, disse Francisco Cassiano, prefeito da UnB.
Um dia antes do início do mutirão, Cassiano percorrerá cada um dos pontos listados pela Vigilância Ambiental. Estará acompanhado de dois de seus diretores e do único funcionário de que dispõe atualmente para realizar o trabalho rotineiro de eliminação dos focos do mosquito: Marcílio Sales Rodrigues, conhecido como cangaceiro da dengue.
O mutirão será viabilizado a partir do remanejamento de trabalhadores envolvidos em outras tarefas administradas pela Prefeitura, principalmente consertos nas unidades acadêmicas e administrativas.
Datado de 4 de novembro, o levantamento da Vigilância Ambiental, assinado pelo inspetor Reginaldo Feliciano da Silva Braga, colocou a Universidade de Brasília na lista dos locais mais críticos do Distrito Federal. O campus foi classificado com índice de infestação de 4,95%, o mais alto entre os três indicadores usados pelo Ministério da Saúde para classificar áreas de risco.
São considerados locais com risco iminente aqueles com índice acima de 3,9%. Significa que a cada 100 imóveis, quase quatro apresentam focos do Aedes aegypti. Até 1%, o risco é considerado baixo. Entre 1% e 3,9%, a recomendação é de alerta. A média geral no DF é de 1,1%.
“A combinação entre o período chuvoso, a presença de focos do mosquito e o retorno das férias pode aumentar a circulação do vírus da doença na comunidade acadêmica”, alertou Aílton Domício, coordenador geral do Programa de Prevenção e Controle da Dengue da Secretaria de Saúde.
Relatório anterior, também da Vigilância Ambiental, apontava os mesmos problemas identificados no último documento e recomendava “uma grande limpeza geral”.
O prefeito justifica que o trabalho de prevenção foi prejudicado pela falta de recursos materiais e humanos. “A cota de conteineres que tínhamos para 2011 se esgotou no início de setembro. Como o aditivo ao contrato para que pudéssemos usar mais conteineres saiu somente há oito dias, a universidade passou quase três meses sem recolher o entulho, gerando um acúmulo estimado em quase 1.500 toneladas”, explica.
Além dos conteineres, a Prefeitura está desde março com dois dos quatro caminhões que têm parados por falta de conserto.
Em 2011, foram confirmados 1.408 casos de dengue em Brasília, 31 deles na Asa Norte. Mais da metade, um total de 878, resultou de focos localizados no Distrito Federal. Os demais contraíram o vírus em outros estados. “No próximo levantamento, vamos contabilizar os dados da UnB de forma separada, tendo em vista o tamanho do campus, que é quase uma cidade”, afirma Domício.