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Um sol para cada um: baixa umidade e calor castiga o brasiliense

Mesmo com baixos índices de umidade e altos patamares de temperatura, muitos brasilienses aproveitam o dia para realizar atividades físicas

Fotos: Vitor Mendonça/ Jornal de Brasília

Mais um alerta laranja de baixa umidade foi emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) ontem para a região do Distrito Federal. O aviso indica que a umidade relativa do ar variava entre 20% e 12%, com risco de incêndios florestais, mas principalmente à saúde, podendo gerar ressecamento da pele, desconforto nos olhos, na boca e no nariz.

O menor índice de umidade relativa do ar registrado ontem no DF foi na estação meteorológica do Gama, com variação entre 12% e 14% entre 15h e 17h. A temperatura chegou a 34,9º C. Já na área central de Brasília, nos mesmos horários, a umidade relativa mais baixa foi de 15%, e a máxima 17%. A temperatura ultrapassou 32º C na estação meteorológica do Plano Piloto.

Mesmo com baixos índices de umidade e altos patamares de temperatura, muitos brasilienses aproveitam o dia para realizar atividades físicas. É o caso da estudante de Gestão de Turismo, Lorrane Alves, 25 anos, que quase todos os dias vai pedalar no circuito mais longo do Parque da Cidade, de 10 km. Para ela, o tempo seco a compele a diminuir o ritmo do exercício.

“Tenho sentido bastante cansaço e a disposição também diminuiu”, contou. “Antes eu fazia 40 km de percurso, mas nessa secura eu estou fazendo 20 km – mas morrendo, porque está muito seco. E paro quase toda hora para beber uma água”, explicou. Segundo ela, o jeito é ingerir bastante líquido e comer alimentos mais leves. “E muito banho frio.”

Lorrane explica que não gosta desta época do ano justamente pela seca excessiva, mas admite que as condições climáticas garantem boas fotos do pôr do sol avermelhado. E ela aproveitou uma das paradas no exercício para registrar o momento em que o corpo celeste estava se pondo. “Mas prefiro o ‘friozinho’, ou aquele sol, mas sem essa secura toda”, finalizou.

No calorão, Leonor Almeida, 55 anos, há 20 anos com o comércio de água de coco e outros produtos no Parque da Cidade, comenta que o movimento tem crescido em torno de 50% no Quiosque Coco Lanches, do qual é proprietária. “Antes estava muito fraco o movimento, porque foi logo depois do ponto mais alto da pandemia. Mas agora com esse calor, tem aumentado bastante”, afirmou. Os produtos que mais vendem são a água de coco e melancia, além de sorvetes, picolés e açaí. De acordo com a comerciante, a circulação de pessoas atualmente é praticamente a mesma de quando não havia a pandemia do novo coronavírus, em 2019. “Não está abaixo do normal. Pensei até que nunca mais ia voltar a ter esse movimento, mas aumentou bastante. Agora estamos correndo atrás do prejuízo, porque foram quase dois anos sem trabalhar direito.”

Ela e o marido, também proprietário, estavam desde o lockdown sem grandes perspectivas de vendas e melhoria das condições financeiras a partir do quiosque. Esta é a época em que os produtos são mais procurados pelos consumidores, mas no ano passado, a a pandemia limitou o fluxo de clientes.

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“É questão de saúde”

Quem costuma consumir água de coco após as atividades físicas que pratica no Parque é Rafaela Moreira, 32, cuja caminhada e corrida são regulares, consideradas por ela como “fundamentais”, independentemente do clima. “É uma questão de saúde e precisa ser diária”, disse. A motivação da policial penal não diminui nem com o sol à pino. Em um dos dias da caminhada e corrida que pratica, chegou a ir ao Parque ao meio dia, com sensação térmica de 38º C.

“Fiz uma corrida de 3 km, e eu sempre procuro vir, mas realmente está muito quente – e é importante se hidratar, bebendo bastante água”, disse. “Fica mais difícil fazer a atividade física como antes porque o cansaço e o desgaste físico são maiores. Tanto pela manhã quanto pela tarde, não está fácil fazer exercícios nesse período.”

De acordo com a meteorologista Naiane Araújo, a região central do Brasil nesta época fica sob o predomínio de uma massa de ar quente e seco comumente. Para os próximos dias, porém, não há previsão de pancadas de chuva até pelo menos a segunda metade da semana que vem, o que poderá aliviar o calor e umidade baixa no DF.

Tempo pode mudar dia 22 de setembro

“Existe uma possibilidade de uma virada de tempo a partir do dia 22 para o dia 23, quando esperamos que a umidade aumente e a combinação com o calor faça com que as pancadas de chuva aconteçam no DF. Mas até lá, o que temos para este fim de semana ainda é o tempo quente e seco”, afirmou a especialista. “São boas chances de chuva, mas não daquelas generalizadas, podendo cair em qualquer ponto”, continuou.

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Para esta sexta-feira, a mínima deve ser de 18º C e máxima poderá atingir 31º C, com umidade relativa do ar variando entre 15% e 45%. Para o fim de semana, os termômetros podem chegar a 32º C. Segunda-feira que vem (20) poderá ser o dia mais quente da previsão até o momento, com expectativa de 34º C. A partir de sábado e até segunda, a umidade não deve ficar abaixo dos 20%.

Saiba Mais

  • Nesta época seca do ano, o risco de incêndio é alto e, portanto, alguns cuidados devem ser tomados.
  • Deve-se evitar a queima de resíduos em ambientes de mata seca, uma vez que uma pequena fagulha é suficiente para iniciar um foco descontrolado de incêndio.
  • Fogueiras em acampamentos também não são recomendadas, pelo mesmo risco.
  • Também devido à baixa umidade, a proteção à pele é importante, sendo recomendado, assim, o uso de protetores solares e hidratantes – a falta de nuvens intensifica a ação do sol na pele.
  • Maior ingestão de água é necessária, visto que a perda líquida pelo corpo tende a ser mais expressiva.








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