Gabriela Coelho
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Os flanelinhas tomaram conta do Distrito Federal. A presença deles pode ser percebida em vários pontos, porém, o mais grave é que um levantamento feito pela Polícia Civil mostra que 25% dos flanelinhas irregulares flagrados pelos agentes em 2011 têm passagem pela polícia ou são procurados.
Em 2011, a Seops encaminhou para delegacias 776 guardadores e lavadores de carro que atuavam irregularmente em estacionamentos públicos e constatou que 150 tinham alguma passagem pela polícia. E em 2010 o número de flanelinhas encaminhados foi de 331.
A equipe do Jornal de Brasília flagou 11 homens trabalhando na área central de Brasília sem o colete e crachá de identificação obrigatórios. Um deles afirmou que não usava porque não é cadastrado. “Tudo bem que a gente é bem visto usando o colete, mas eu não posso. Temos de tirar três Nada Consta e eu já fui preso. Achar emprego já está difícil, então, é assim que ganho meu pão. Tenho uma família para sustentar, Por dia, garanto aqui R$ 50. Imagina ao final do mês”, justifica.
Para atuar como guardador e lavador de veículos, o interessado deve passar por curso de capacitação na Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda (Sedest). “Nesse curso, ele recebe conhecimentos básicos sobre cidadania e leis de trânsito. Após a conclusão, ele está capacitado a atuar nos estacionamentos públicos e recebe colete e crachá de identificação”, explica o sargento Vanildo, da Seops.
Verificação
A fiscalização da Seops não é voltada somente para flanelinhas irregulares. Os que possuem autorização para o trabalho também são abordados para verificação de documento de identidade, crachá e colete. Caso não estejam portando esses itens, são apenas orientados a regularizar a situação. Durante uma operação feita ontem pela Seops, dos oito levados à delegacia, três tinham ficha policial.
O servidor público L.R., 38 anos, tem medo de deixar o carro com flanelinhas e diz já ter sido ameaçado. “Como é difícil achar vaga, eu deixava as chaves com um flanelinha. Ele tinha crachá e colete. Mas um dia, não achava o carro e nem o flanelinha. Depois de dez minutos de espera, descobri que ele havia saído com o veículo. Quando ele chegou, fui tirar satisfações e ele me surpreendeu com um canivete e falou que se eu contasse a história para alguém, ele me mataria”, relata.
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