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Brasília

Um carro é clonado a cada oito horas no DF

Arquivo Geral

01/04/2012 9h50

Carlos Carone
carone@jornaldebrasilia.com.br

Em alta no comércio do crime, a clonagem de veículos corre solta no Distrito Federal. A cada oito horas, um carro com documentos e placas fraudados ganha as ruas. Em todo o ano passado, 1,1 mil veículos foram clonados em alguma cidade do DF. Entre 1º de janeiro e o último dia 30 de março, os casos já chegam a 266. A ação tornou-se a “menina dos olhos” dos falsários. A explicação é simples: ela é considerada na atualidade uma das atividades criminosas mais “rentáveis”, principalmente considerando seu “custo-benefício”, já que a fraude pode nunca ser descoberta.

Em municípios da Região Metropolitana do DF existem quadrilhas que atuam como empresas e em que integrantes agem com funções determinadas No bando. O nível de algumas organizações é alto. Segundo investigações conduzidas pela Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos (DRFV), os grupos se estruturam com base em várias pessoas. Existe aquele que apenas dirige os chamados “carros de apoio”, que ficam a distância quando alguma vítima será abordada e rendida; o criminoso  responsável pela confecção dos documentos falsos; o falsificador que frauda os sinais identificadores dos veículos; e, ainda, o membro da organização que transporta o carro clonado e o repassa para algum receptador.

Para tornar a clonagem mais próxima do veículo original, os criminosos saem às ruas e seguem uma ordem cronológica de ações. Na maioria das vezes, os integrantes das quadrilhas desembarcam nas ruas do Plano Piloto  e ficam atentos ao movimento de veículos. Eles observam determinado carro na rua, anotam todos os dados dele, como modelo, ano e cor e, principalmente, anotam as placas. O chamado “pulo do gato” é a parte mais importante e complicada e vem em seguida. De alguma forma eles conseguem “puxar” as informações do carro que incluem a série numérica que é gravada no chassi, motor, vidros e carroceria. A gambiarra fica muito boa, mas não perfeita, tanto que peritos da Polícia Civil conseguem identificar quando esses números foram gravados por alguém que não a própria montadora do veículo.

Segundo o delegado-chefe da Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos (DRFV), Cleidiomar Ferreira, quadrilhas estão sendo desarticuladas sistematicamente, entre elas um grupo armado de 12 adultos e cinco adolescentes detidos durante a Operação Leste, no último dia 6. O grupo tinha em seu poder 14 veículos que haviam acabado de ser clonados. Eles comercializavam os carros por preços muito abaixo dos praticados pelo mercado. Em alguns casos, carros que custam em torno de R$ 60 mil eram revendidos por cerca de R$ 5 mil.

 

Leia mais na edição impressa deste domingo (1°) do Jornal de Brasília.

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