Carlos Carone
carlos.carone@jornaldebrasilia.com.br
Um grupo de rapazes de classe média, moradores de diferentes cidades do Distrito Federal foram presos pela Polícia Civil por ter desembarcado no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek com uma grande quantidade de produtos anabolizantes, todos sem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Parte dos produtos seria consumida pelos autores e a outra comercializas no DF.
Investigadores da 3ª Delegacia de Polícia (Cruzeiro) receberam uma denúncia anônima de que os três jovens, de 24, 26 e 30 anos, desembarcariam no aerporto na noite de sábado vindo de um voo de Foz do Iguaçu, no Paraná. Nas lamas estariam dezenas de medicamentos, entre eles estimulantes sexuais proibidos no Brasil. Também seriam encontrados vasodilatadores e termogênicos, susbstâncias muito usadas em academias para ganho de massa muscular e perda de gordura.
Por volta das 20h30 do sábado último, os três rapazes desembarcaram e foram bordados pelos policiais civis. Todo o material irregular estava, de fato, escondido nas malas. Para despistar a polícia – que costuma fazer apreensões de drogas e anabolizantes com frequência em aviões que aterrizam no DF vindos diretamente de Foz do Iguaçú – o trio fez uma escala no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, antes de chegar ao DF. Mesmo assim, todos acabaram presos.
Segundo o delegado-chefe da 3ª DP, Ocimar Loli, os suspeitos, que moravam em Águas Claras, Taguatinga e Gama, pretendiam faturar alto com o estimulante sexual “Pramil”, proibido no Brasil por uma série de efeitos colaterais que o medicamento pode provocar, inclusive ataque cardíaco. “Encontramos cerca de 200 unidades do medicamento. Apesar da grande quantidade o depoimento de um dos presos aponta que eles pretendiam consumir 90% de todo o material e vender apenas o restante. Mesmo assim, essa informação não muda aincidência penal deles”, explicou.
Entre os produtos apreendidos, está o termogênio “Oxyelite”, febre nas academias de Brasília. O produto, que foi suspenso pela Anvisa, promete metabolizar grandes quantidades da chamada massa gorda – a gordura localizada – durante os exercícios físicos. Contudo, a Anvisa alerta que o uso do produto pode trazer males à saúde, entre eles problemas hepáticos e arritmia cardíaca. Outras substâncias, como vasodilatadores, também foram apreendidos pela polícia. Dois deles são bastante consumidos no DF. Em pó, o produto promete dar mais energia e disposição para os usuários durante a atividade física, mas pode provocar efeitos colateriais como insônia e arritmia cardíaca.
Todos os três presos foram encaminhados para a carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE) e depois serão levados para o Centro de Detenção Provisória (CDP), no complexo penitenciário da Papuda. O trio responderá por crimes de venda de produtos proibidos pela saúde pública. A pena para o delito é de 10 a 15 anos depresão, mais rigorosa do que a penalidade imposta pelo tráfico de drogas.