Mariana Laboissière
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Em todo ano de 2008 foram registradas nove colisões com morte na Estrada Parque Taguatinga (EPTG), enquanto em 2009 foram cinco mortes na rodovia. Isso, entretanto, não reflete uma possível tendência, visto que, até março deste ano, três óbitos já foram contabilizados. Os dados são levantados pela mestre em Transporte Ana Karina Reis Parr, do Centro de Formação de Recursos Humanos em Transportes da Universidade de Brasília (Ceftru-UnB). A especialista ressalta que os números não fazem menção à tragédia ocorrida com a condutora Vanessa Coelho, 31 anos, que morreu após cair em uma vala em meio às obras da rodovia. O acidente com a jovem ocorreu no mês de maio.
“Outros muitos episódios ocorrem sem ao menos os órgãos competentes terem conhecimento. Afinal, algumas pessoas nem sequer registram na delegacia ou vão ao hospital. Então, não temos esse número”, esclarece Ana. “Não precisa ir fora do Brasil para ver bons exemplos de obras bem sinalizadas, que se adequam às necessidades da população. Em São Paulo podemos verificar isso”, informa.
Segundo o diretor-geral do Departamento de Estradas e Rodagem (DER), Luiz Carlos Tanezini, até o dia 30 de outubro a sinalização definitiva na EPTG estará concluída, mas a obra completa levará um pouco mais de tempo. A previsão é de que ela seja finalizada em 30 de dezembro. “Temos 80% executado. Agora é aguardar e acabar essa novela que se arrasta há quase um ano. As pessoas acham que é muito tempo, mas é até um tempo curto para uma obra dessa magnitude. Acho que era totalmente inviável finalizá-la em junho, conforme queria e pretendia o governo. O prazo factível é dezembro deste ano”, acrescenta.
Ônibus
A reportagem do Jornal de Brasília chegou cedo à EPTG ontem e, ao longo da manhã, avistou poucos trechos de retenção. Muitos motoristas evitaram a pista depois de transtornos enfrentados no início da semana, quando alguns trechos estavam interditados. Mesmo assim, às 7h já era possível avistar a imprudência de alguns motoristas. Carros entrando na contramão, condutores atropelando cones, veículos trafegando pelo acostamento, ônibus pegando rotas alternativas.
A auxiliar de educação Iolanda Lima Carvalho, 59 anos, foi uma das pessoas que criticou a situação. “A dificuldade é porque os ônibus não têm lugar certo de parada. Tem que ter uma definição. Ou eles passam na via principal ou na marginal. O pessoal da obra tem que avisar onde vai fechar e onde não”, diz. “Já perdi dois ônibus por causa disso”, arremata. Minutos depois Iolanda avistou o ônibus que pretendia pegar com destino a Samambaia passando do outro lado da pista. “Essa é a prova de que o negócio está bagunçado”, lamentou.