Bruna Sensêve
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O Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTrans) inicia um processo de mapeamento de oito locais do DF onde o nível de organização e especialização do transporte pirata atingiu limites inimagináveis. Veículos são comprados somente para isso, em especial os que levam mais passageiros. Pessoas são contratadas para fazer o transporte de pessoas e recebem comissão ou salário pelo serviço diário e ininterrupto no mesmo trajeto. Decisões judiciais que derrubam os autos de infração aplicados prejudicam ainda mais a fiscalização, que se vê de mãos atadas.
“Às cinco horas, se você for à plataforma E da Rodoviária do Plano Piloto, paralela à via N1 do Eixo Monumental, você vê as filas. Eles aliciam os passageiros e os levam aos veículos, que aguardam em fila pela sua vez”, detalha Fernando Luis Pires, encarregado do DFTrans de operações de auditoria e fiscalização. Ele afirma que em um desses veículos já foram encontradas 16 pessoas ao mesmo tempo.
Os infratores se organizam em fila, que segue a ordem, ainda que façam o mesmo trajeto, como para o Setor Militar Urbano (SMU), muito comum pela manhã. “É um grupo de pessoas que, às vezes, tem mais de um veículo”, explica Fernando.
Nesse sistema de transporte existem personagens diferentes. O laçador, por exemplo, que chama os passageiros que esperam em fila pelos ônibus e ganha R$ 1 por carro cheio. Ele recebe na hora, do motorista, antes de sair do ponto. O motorista, por sua vez, pode trabalhar para si ou para o dono do carro. O DFTrans afirma que já foram identificadas pessoas que administram sete ou oito carros de uma vez e pagam seus motoristas para o transporte pirata diário.
“A pessoa tem sete ou oito veículos, contrata os motoristas e fica operando ali. Normalmente é um grupo de pessoas que opera no local de forma organizada. Na Candangolândia, em Planaltina, Recanto das Emas e em outros locais no DF eles operam de forma organizada”, afirma Alexandre Carvalho da Silva, gerente de Fiscalização do DFTrans.
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