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Brasília

Trabalho de estrangeiros em condições de quase escravidão é investigado no DF

Arquivo Geral

07/01/2012 7h15

Da Redação, com agências
redacao@jornaldebrasilia.com.br

 

O Ministério Público do Trabalho abriu procedimento investigatório para apurar denúncias de trabalho irregular e exploração de trabalhadores estrangeiros em fábricas de abate de frangos instaladas no País, uma delas em Samambaia. De acordo com as denúncias, muçulmanos do Afeganistão e do Paquistão estariam submetidos a situação de quase escravidão no Brasil.

 

No DF, as investigações estão a cargo da procuradora Marici Barros Pereira. Não está descartada a possibilidade de haver uma ligação com uma rede nacional de exploração de trabalhadores. Segundo as denúncias, os muçulmanos foram contratados para trabalhar no abate de frangos destinados à exportação para países islâmicos, que exigem que a degola das aves seja feita pelo método halal (ritual determinado pela religião islâmica – que inclui desde cuidados para evitar o sofrimento da ave até medidas sanitárias – necessariamente na presença de um religioso). Antes de cada degola, eles devem pronunciar a frase: “Em nome de Deus, Deus é maior”.

 

 

Chegando aqui, teriam se deparado com uma jornada de trabalho excessiva e alegam terem sido instalados em condições precárias, em residências sujas e sem geladeira. Um dos denunciantes chegou a afirmar, em documentos entregues ao MPT, que eles dormiam em alojamentos “apinhados” de estrangeiros, que se revezavam nas poucas camas disponíveis.

 

A BR Foods, responsável pela fábrica da Sadia, denunciada no Distrito Federal, afirmou em nota que a contratação dos funcionários muçulmanos é terceirizada, e que é exigência que os trabalhadores sejam vinculados a uma entidade certificada pelas autoridades dos países islâmicos.

 

No caso, a BR Foods contrata a CDIAL Halal. Procurada pela reportagem, a entidade explicou que todos os funcionários “encontram-se em situação legal no país e que procuram a empresa por livre vontade”. Diz, ainda, que todos os funcionários têm carteira assinada e executam jornada até oito horas.

 

Mas não é o que conta um dos denunciantes, que diz ter sido demitido depois de reclamar da situação. De acordo com ele, degolava 75 frangos por minuto pelo método halal e “não dava nem para enxugar o suor”, disse em depoimento à BBC Brasil. Pelo trabalho, recebia R$ 700 mensais. “Disseram que no Brasil eu encontraria paz, mas virei um escravo e, hoje, vivo como um mendigo”, desabafou à reportagem.

 

Para o procurador do Ministério Público do Trabalho, Ricardo Nino Ballarini, as condições relatadas pelos trabalhadores em Samambaia são análogas à escravidão. De acordo com ele, a situação no Distrito Federal se assemelha à descrita em outras duas fábricas da Sadia no Paraná, onde a CDIAL Halal também é responsável pela atividade.

 

Leia mais na edição impressa desta sexta-feira (27) do Jornal de Brasília.

 

 

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