Vinícius Borba
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A morte do operário que participava da reconstrução do Estádio Nacional Mané Garrincha, José Afonço de Oliveira Rodrigues, 21 anos, trouxe à tona o debate sobre os riscos nos canteiros de obras. Só este ano, sete operários perderam a vida em acidentes de trabalho. Mesmo assim, segundo o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção Civil e do Mobiliário de Brasília (STICMB), as ocorrências têm diminuído por vários fatores, como a educação nos canteiros, pela pressão da lei e pelo risco de demissões. No entanto, segundo a entidade, muitos operários negligenciam a utilização dos equipamentos básicos de segurança. No caso de Afonço, há suspeita de que ele tenha se soltado do cabo de aço.
Ontem pela manhã, os trabalhos no canteiro de obras do Estádio Nacional foram interrompidos por uma manifestação dos trabalhadores, em protesto pela morte do colega. Já a assessoria de imprensa do Consórcio Brasília 2014, responsável pela obra, informou que os trabalhadores foram liberados do serviço para que a perícia policial fosse concluída sem interrupções, uma vez que na noite de segunda-feira, dia do acidente, a escuridão não permitiu a conclusão dos trabalhos.
Ainda segundo a assessoria, uma investigação particular pelas empresas do consórcio foi aberta para apurar internamente o caso, por obrigação legal junto ao Ministério do Trabalho.
O presidente do STICMB, Edgard de Paula Viana, lembra que somente a apuração policial e dos órgãos competentes poderá apontar possíveis responsáveis, mas a princípio, o caso tem características de fatalidade. “O que soubemos é que ele teria ido cumprimentar um companheiro de trabalho e se desligado do cabo mestre, no qual eles ficam presos pelo cinto de segurança, quando pisou no madeirite em falso e caiu. Nós acompanhamos o canteiro de obras do estádio e observamos que os padrões de segurança têm sido cumpridos com relativo sucesso, mas é preciso investigar”, disse o presidente.
imprudência
Apesar disso, ele afirma que os riscos em obras de grande porte são constantes e a imprudência de alguns trabalhadores, ou mesmo a falta de fiscalização das empresas, pode levar a estas situações. “Este ano já estamos com sete mortos. No ano passado foram 17. E isso é o que sabemos, pois ainda há empresas que comunicam o Ministério e a Superintendência do Trabalho, mas não comunicam o sindicato. Ainda assim, acreditamos que a imprudência do trabalhador pode ser uma das causas que levaram a isso”, afirmou Edgar Viana.
Trabalhadores da construção civil como Afonço Rodrigues podem sofrer as mesmas consequências por falhas de procedimentos. O operário Otacílio da Costa, 46 anos, lembra das vezes que colocou a vida em risco pelo incômodo gerado pelo cinto de segurança.
“Eu já fui pego umas três vezes pelo fiscal com o cinto desligado do cabo mestre. A gente confia que nada vai acontecer. Não sentia medo e soltava mesmo. Até a vez que vi um companheiro cair de verdade, e ficou seguro só pelo próprio braço, de uma altura de 15 metros. E depois, eu acabei caindo de cima de uma lage com uma chapa metálica em cima de mim. Mas fazer o quê?”, diz.