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Brasília

Trabalhadores de caminhões de coleta de entulho reivindicam melhores condições de trabalho

Arquivo Geral

14/12/2011 11h21

Kelly Crosara

kelly.ikuma@jornaldebrasilia.com.br

 

Caminhões da empresa Coletoras de Entulho do Distrito Federal invadiram as pistas do Eixo Monumental na manhã desta quarta-feira (14). O objetivo do movimento é mostrar a insatisfação da categoria em relação à administração do Lixão pela empresa contratada pelo governo, a Quebec. Os trabalhadores também reivindicam a revisão do projeto de Lei n° 524/2011, que dispõe sobre a gestão integrada de Resíduos da Construção Civil e de Resíduos Volumosos.

 

Por volta das 10h, mais de 100 veículos já estavam nas ruas. Eles seguiram em carreata pelo Congresso Nacional e estacionaram no Palácio do Buriti, onde aguardam reunião com o governo para discutir a questão. O presidente da Coopercoleta Ambiental e membro da Associação das empresas Coletoras do DF (Ascoles), João Rodrigues de Lima, disse que a categoria entregou um documento para o governador Agnelo Queiroz, na semana passada, mas não receberam nenhuma resposta.

 

Ele afirma que o objetivo dessa manifestação é chamar a atenção das autoridades em relação aos problemas que os caminhões passam para descarregar o entulho no Lixão e informar à sociedade que todos correm perigo com essa situação. “Na semana passada, o Lixão ficou fechado por quatro dias. Isso significa que nós tivemos que parar o trabalho, pois não tínhamos onde deixar a carga. Por conta disso, muitos as jogaram em locais irregulares, até em áreas verdes. Isso não pode ocorrer”, informa.

 

João disse que a empresa justificou o fechamento do local por causa de algumas máquinas que estavam danificadas. “Mas isso ocorre porque elas estão sucateadas. Por isso, defendemos que eles não têm a menor condição de administrar. Outro problema é o acesso ao local. Lá existem muitos buracos. A manutenção que temos que fazer é frequente com as condições precárias da estrada”, completa João.

 

A empresa Quebec se defende de todas as acusações e afirma que estão operando com um número maior de maquinários que o exigido em contrato firmado com o Serviço de Limpeza Urbana do Distrito Federal (SLU). O assessor de imprensa da empresa, Felipe Chiavegatto, disse que não entende o porquê da manifestação. “Eles falam que as máquinas estão sucateadas, mas todas são modelo 2010/2011. Sempre que existe algum problema, consertamos na hora, como ocorreu na semana passada. O SLU é muito rigoroso nos termos exigidos, por isso, cumprimos com todos os pontos”, diz.

 

A assessor de imprensa do SLU, Paulo Passos, disse que eles tiveram que notificar a Quebec na semana passada por causa do maquinário danificado, mas que de imediato a empresa resolveu a situação e liberou o acesso dos caminhões. “Não vamos nos posicionar em relação a essa manifestação porque as empresas coletoras de entulho não entraram em contato com o SLU. Nossas portas sempre estão abertas para escutá-los”, diz.

 

De acordo com Passos, o governo pretende desativar o mais breve possível o Lixão, assim que for construído novo aterro, mas que por enquanto, eles estão fazendo de tudo para oferecer as condições de trabalho necessárias no local. Em relação ao projeto de lei, ele disse que os pontos do decreto ainda estão em discussão e que em outubro houve uma audiência pública com todas as empresas envolvidas. “É claro que existirão pontos que não agradarão a todos, mas o alvo do projeto é combater o descarte ilegal de resíduos, e é isso que deve ser levado em consideração”, diz.

 

O contrato da Quebec com o governo termina no próximo dia 18, mas como a concorrência pode durar até seis meses, a empresa permanecerá trabalhando emergencialmente até que outra assuma o serviço. 

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