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Brasília

Susto com material radioativo

Arquivo Geral

07/04/2012 7h08

Bernardo Bittar
bernardo.bittar@jornaldebrasilia.com.br

 

Após ter contato com material radioativo por cerca de 12 horas seguidas, o pedreiro Antônio Libório da Silva, de 70 anos, fez uma bateria de exames para tirar a dúvida que pairava nos arredores de sua casa: afinal, o para-raios que encontrou enquanto trabalhava, supostamente fabricado a partir de plutônio e    amerício 95, causou algum dano para sua saúde?

A pedido do empresário Manoel Carneiro, Antônio Parceiro, como é conhecido nos arredores do Pedregal, no Novo Gama (GO), acordou na última quinta-feira incumbido de destruir um bloco de cimento. “Eu cobrei R$ 120 para derrubar a pedra. Quando comecei, percebi que havia uma lata com alguma coisa dentro”, explica.

 Para surpresa geral, um objeto de aproximadamente 30 centímetros,  – que parecia estar em perfeito estado de conservação, como disse Antônio – ostentava a palavra radioativo. O sol de meio-dia estava forte, e a peça até reluzia na luz.

  Foi o bastante para que Manoel, o chefe, ligasse para os bombeiros e avisasse que algo estranho havia sido encontrado em sua propriedade. Ele foi procurado pela reportagem e não quis dar entrevista, motivo pelo qual não se pode precisar o horário em que a ligação foi feita.

O resultado foi um vaivém de bombeiros e médicos que bateram na porta de um dos lotes da Quadra 465, endereço onde Antônio Parceiro vive com cerca de 11 pessoas em um modesto terreno.

A pedido dos bombeiros, ele buscou o material (instalado em um balde vazio e ainda amarrado por sacolas plásticas) em sua casa. A peça só foi parar lá pois  o pedreiro pretendia utilizá-la como instrumento de trabalho. O para-raios foi levado para o quartel do Corpo de Bombeiros do Gama, que também foi isolado por algumas horas.

Uso suspenso

O pesquisador da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) Adriano Lobo, que esteve no Pedregal para analisar o material radioativo, informou que o uso do para-raios encontrado foi suspenso na década de 1980. “A quantidade de amerício, material radioativo encontrado nestas presilhas, é inofensiva ao ser humano. Se eu pegar cinco mil pratos desses poderia causar algum dano”, garantiu Lobo.

 

Leia mais na edição deste sábado (7) do Jornal de Brasília.

 

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