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Brasília

Só na PM, cerca de dois mil homens são dependentes químicos

Arquivo Geral

06/02/2012 7h10

Carlos Carone

carone@jornaldebrasilia.com.br

 

A farda impõe o respeito que logo se dissipa, como a fumaça provocada pela queima de mais uma pedra. Se clínicas de reabilitação não estivessem cheias de policiais militares, seria quase impossível imaginar que aproximadamente dois mil homens, entre praças e até oficiais, estão no grupo de dependentes químicos, segundo dados da própria corporação. Existem centenas de usuários que lutam para deixar o vício em drogas, tanto lícitas, como o álcool, quanto as mais combatidas pelos colegas de profissão, como a maconha, cocaína e as pedras amareladas que tanto tiram o sono da segurança pública do DF.

 

Dados fornecidos pelo Centro de Assistência Social (Caso) da PM, assustam pela fragilidade de policiais de todas as patentes que sucumbiram ao vício das drogas. Pouco mais de 1% da corporação brasiliense tem problemas com cocaína. Parece pouco, mas quando se leva em consideração que a PM tem um contingente de 15 mil homens, o número ganha proporções alarmantes. São 160 policiais que já relataram aos superiores que não conseguem deixar o vício no pó.

Quando as estatísticas abordam a maconha, a dependência ganha proporções ainda maiores. São 3% do efetivo da Polícia Militar que consome a erva, cerca de 480 agentes de segurança pública. Quanto a drogas lícitas, como o álcool, os médicos militares têm muito mais trabalho. A corporação convive com a dificuldade de reabilitar entre 10% e 12% de policiais considerados alcoólatras pela corporação. São cerca de 1,5 mil homens dependentes da bebida.


Reabilitação

A reportagem do Jornal de Brasília acompanhou de perto os policiais que espontaneamente ou de forma compulsória estão internados na Clínica Recanto, especializada na reabilitação de dependentes químicos. Longe dos olhos da sociedade, acomodados em uma das alas da clínica situada em Brazlândia, policiais – além de bombeiros, homens do Exército, Força Aérea e Marinha – passam os dias fazendo terapia, tomando medicamentos e sendo acompanhados por médicos, psiquiatras e assistentes sociais.

 

A coordenadora da clínica e chefe da equipe de Psicologia, Elyn Navia Magalhães, explicou que a ala não foi criada especificamente para abrigar os militares. “Creio que isso faz parte da cultura e doutrina deles em se agruparem. Eles confiam mais uns nos outros e, por consequência, acabaram se unindo nessa ala”, explicou.

 

Leia mais na edição impressa desta segunda-feira (06) do Jornal de Brasília.

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