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Setor da gastronomia poderá recorrer ao FAC

Além da gastronomia, mais quatro categorias foram adicionadas ao Cadastro e passam a estarem autorizados a pedir os recursos

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Empreendedores e profissionais da gastronomia foram inclusos no Cadastro de Entes e Agentes Culturais (Ceac), que permite a eles o acesso a recursos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) e da Lei de Incentivo à Cultura (LIC). Além da gastronomia, trabalhadores de bastidores, artistas circenses de lona e comunidade LGBTQIA+ que atua nas artes também foram adicionados na quarta-feira passada (05) pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec) ao Cadastro.

Entre as mais sofisticadas

“Percebemos a necessidade de tornar o Cadastro de Entes e Agentes Culturais espelhado com a complexidade da cadeia de economia criativa do DF. Temos hoje uma das gastronomias mais sofisticadas do país”, observa o secretário de Cultura e Economia Criativa, Bartolomeu Rodrigues.

“A gastronomia revela os traços da nossa população, culturas e tradições. Essa inclusão reforça a importância e o potencial de crescimento deste setor”, justifica a subsecretária de Economia Criativa da pasta, Érica Lewis.

O chef e empresário Gil Guimarães ecoa a fala de Érica: “A comida faz parte do nosso dia a dia, de nossa cultura, da nossa identidade. Nada mais pertinente do que a Secretaria de Cultura valorizar projetos em gastronomia. É uma iniciativa sensacional”. Ele é criador da Baco Pizzaria, da Casa do Baco, da Frankies Hotdog e do Parrilla Burger, em Brasília, e da Napoli Centrale e C6, em São Paulo.

Gil entende que Brasília está se descobrindo no terreno da gastronomia. “O trabalho que a gente fez nos últimos dez anos, levando o cerrado para a mesa das pessoas dentro e fora de Brasília, gerou um conhecimento muito grande, desenvolveu a produção familiar e um cinturão verde no entorno, com muitos pequenos produtores que fazem que a gente consiga ter hoje uma identidade, uma gastronomia com nossa cara, nosso gosto”.

O empreendedor acredita que os 61 anos de Brasília não são empecilho para concorrer com lugares em que a tradição recua séculos no tempo: “É uma cidade jovem, mas que já desponta como um dos principais polos gastronômicos do país”.

Formado na Universidade de Brasília (UnB) e detentor de muitos prêmios nesse requintado campo, Gil aponta as influências da vegetação que marca nossa geografia física. “É impossível fazer gastronomia em Brasília sem levar em conta um bioma tão forte, tão exuberante e com características tão marcantes. Muita coisa que a gente faz em vários pratos está baseada em produtos do cerrado”.

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Alimentação e educação

Ana Paula Boquad , formada em Pedagogia pela UnB, trabalha desde 2009 com educação ambiental e alimentação. Seu foco está na alimentação orgânica e uso dos frutos do cerrado a partir de pesquisas e parcerias com comunidades agroextrativistas.

Em seu trabalho, Ana Paula busca o equilíbrio e a valorização dos frutos sazonais a partir da economia sustentável de pequenos produtores locais como os kalungas do Vão de Almas em Cavalcante (GO), quilombolas e indígenas.

Ativista do movimento “slow food” (educação do paladar), ela participa de encontros como o “Terra Madre Brasil”, festivais gastronômicos e promove o curso “Frutos do Cerrado, identificação botânica e o uso na gastronomia”.

Já foi selecionada para representar o Brasil no URBAL (Urban Driven Innovations For Sustainable Food System) em Montpellier na França, onde alguns países se reuniram para discutir as inovações e soluções de políticas públicas e de sustentabilidade dos sistemas alimentares.

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Na opinião da empreendedora, a inclusão desse segmento no Ceac é fundamental porque “a gastronomia, como arte e ciência, e a cozinha, como laboratório, são expressões finas da nossa cultura e dos nossos saberes e precisam ser valorizadas como patrimônio cultural, o que inclui os povos tradicionais que representam a identidade da nossa gente. Trata-se de um passo muito importante para enriquecer a nossa história”.

Ana cita a Festa do Morango, em Brazlândia (DF), para ilustrar o potencial que festivais gastronômicos têm e que podem ser impulsionados pelo FAC. “Imagina se a gente conseguisse promover outros frutos, que representam o bioma?”. Não hesita em dizer que Brasília pode se tornar a capital do pequi, como, por exemplo, Arinos (MG) representa a castanha baru.

Chás

O músico Fábio Pedroza, formado em licenciatura em Ciências Sociais e mestre em Psicologia na linha de Desenvolvimento Humano e Cultura pela UnB, assumiu uma paixão por chás que deixou a qualificação acadêmica na lista de espera.

O baixista da banda Móveis Coloniais de Acaju foi o precursor na obtenção de incentivo de R$ 11,997 mil no edital Conexão Cultura 2019 para viajar a Taiwan a fim de aprender sobre infusões.

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“Conhecia pouco sobre os chás de Taiwan até ir para o World Tea Expo em 2017 (a maior feira de chás no ocidente). Lá conheci e fiquei apaixonado pelos ‘wulongs’ taiwaneses”. Ele explica que o wulong é uma das seis famílias de chá. Aproveita para ensinar que “a gente chama tudo de chá, mas chá é a bebida a partir de uma planta específica, a Camellia sinensis. Todas as outras bebidas, como hortelã, mate, camomila, etc. são infusões”.

Fábio também festeja a extensão do Ceac à área de gastronomia. Dono da loja Vai Té Chá – um trocadilho com a grafias estrangeiras da palavra “chá” –, local que mistura ervas e literatura em encontros culturais, além de promover cursos da arte, acredita no potencial de Brasília não apenas para a alta culinária, com suas contas mais salgadas, mas também nas diversas manifestações que pipocam.

“A gente vê a força da gastronomia da Feira da Torre de TV. Há muitas manifestações. Culinária é resistência, comida é cultura na rua”, levanta a bandeira.

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As informações são da Agência Brasília

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