Francisco Dutra
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Preservativos, gordura, areia e água das chuvas descarregados na rede de esgoto do Distrito Federal causando muitos danos, a ponto de serem necessários dez reparos no sistema a cada hora. De acordo com cálculos da Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb), a rede precisou de 90.024 consertos em 2011. Desse total, 80% foram reparos para desentupir os canos. A cada bloqueio, placas de lixo e gordura que são despejados ali irregularmente impediam o funcionamento da rede.
Segundo superintendente de manutenção de rede da Caesb, Edgar Camargo, o grande número de danos é reflexo do mau uso do sistema por parte da população, iniciativa privada e o próprio serviço público. Para ele, a taxa de problemas vai além dos padrões do saneamento básico. “Se tivéssemos uma média anual de 45 mil reparos seria um número razoável”, avalia.
A rede deveria receber apenas dejetos humanos, mas os usuários jogam todo tipo de lixo nos vaos sanitários, como absorventes e até talheres. Descumprindo a lei, imóveis também não possuem o sistema adequado para recolher a gordura das cozinhas. Dentro da rede, o material contribui para a formação de placas de detritos nas tubulações. E o problema se agrava com a água das chuvas. O sistema de esgoto deveria ser separado da rede de captação pluvial. Mas o número de ligações ilegais entre os dois é marcante e, com isso, as chuvas levam areia e terra para os canos.
Para Camargo, a mudança de postura dos usuários é fundamental para preservar a qualidade do tratamento de esgoto. “A população precisa aprender que é preciso cuidado, não dá mais achar que pode tudo no esgoto. As pessoas precisam ter consciência”, explica.
Prevenção
O superintendente da Caesb considera que a gordura é um dos principais causadores das obstruções dos canos mas, como o plástico é resistente e de difícil degradação, os preservativos são recordistas desse problema. “Encontramos também muita terra, garrafas, colheres, garfos, meias, calcinhas e absorventes”, esclarece Camargo.
Na época de seca, a Caesb faz a limpeza preventiva da rede de esgoto, que tem 5.148 quilômetros de extensão com aproximadamente 530 mil ligações. A cada mês a companhia faz o serviço em uma média de 60 quilômetros. “Limpamos tudo na seca. Mas a sujeira é tanta que nas primeiras chuvas o lixo toma conta”, afirma o superintendente.
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