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Sanitarista da Fiocruz aponta que os próximos 15 dias serão difíceis para o DF

O médico informou ainda que, com o alto número de casos positivos, a capital do país seguirá com hospitais lotados

Foto: Breno Esaki/Agência Saúde

Catarina Lima e Willian Matos
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O médico sanitarista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Christovam Icict, em entrevista ao Jornal de Brasília, disse que a pandemia do novo coronavírus permanecerá com níveis preocupantes ao longo dos próximos 15 dias em todo o país, seguindo a tendência que já vem sendo observada. O médico informou ainda que, com o alto número de casos positivos, o Distrito Federal seguirá com hospitais lotados. A informação do sanitarista está em um estudo da Fiocruz.

“O DF, que teve o pico de óbitos em 4 de abril, sofreu uma pequena queda no número de casos devido às medidas restritivas, mas a testagem positiva ainda é muito alta. Por isso, o mês de abril será difícil na cidade”, disse Icict.

O pesquisador também comentou que tem sido observado que a segunda onda da covid está sendo mais intensa que a primeira no país e destacou a baixa testagem como responsável pela dificuldade de se estabelecer uma estratégia de enfrentamento do coronavírus. “Se o Brasil fizesse mais testes seria possível colocar as pessoas contaminadas em quarentena e evitar que contaminem outras. Também seria possível separar os casos graves dos não graves”, explicou o médico sanitarista.

O secretário de Saúde, Osnei Okumoto, disse entender o alerta feito pela Fiocruz para os próximos 15 dias. “O governo do DF, por meio de seus órgãos de fiscalização, está fazendo seu trabalho para que sejam cumpridas as medidas sanitárias. Também é importante dizer que dos 362.379 casos, 343.690 (94,8%) estão curados” destacou. O DF recebeu a doação de 20 mil testes rápidos antígenos da Organização Panamericana de Saúde (Opas), e o secretário acredita que os exames ajudarão muito na detecção e tratamento da covid.

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Ocupação de leitos

A alta ocupação de leitos de UTI é um índice preocupante, segundo o médico da Fiocruz. “Existem várias formas de um estado entrar em colapso. Pode ser por falta de leitos, de medicamentos ou de profissionais de saúde”, avaliou. Quanto aos profissionais, ele ressaltou que os médicos, enfermeiros e técnicos que atendem em UTI são poucos, especializados, e todos estão esgotados.

Até a última atualização desta reportagem, 96,26% dos leitos públicos de UTI para covid no DF estavam ocupados. Há apenas cinco vagas disponíveis para pacientes adultos. Por outro lado, a lista de quem espera por um leito e não consegue vaga é de 234 pessoas.

A rede privada também taxa de ocupação ainda mais alta: 100% dos leitos pediátricos e 99,75% dos adultos estão ocupados.

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Para reduzir a fila de pacientes sem leito, o GDF espera inaugurar logo os três hospitais de campanha que vêm sendo construídos, sendo um no Gama, um em Ceilândia e um no Plano Piloto. Cada unidade terá 100 leitos exclusivos para covid, o que pode acabar de vez com a fila.






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