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Começa hoje a imunização de crianças e adolescentes com Síndrome de Down no DF

Pais e tutores comemoram a chegada da vacina. A vacina será aplicada mediante agendamento no site da Secretaria de Saúde do DF

Elisa Costa
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Começa hoje (5) a vacinação de crianças e adolescentes com Síndrome de Down no DF, que conta com 5 mil doses a serem distribuídas em 26 pontos da capital. A vacina será aplicada mediante agendamento no site da Secretaria de Saúde do DF.

A ansiedade para o momento da imunização já tomou conta de Erica Carolina, dona de casa que mora em Sobradinho 2 com o filho Gabriel, que tem Síndrome de Down. “É uma emoção muito grande ver que está chegando perto, esperamos muito tempo para isso”, declarou a mãe, que deve levar o garoto para vacinar ainda esta semana.

Na casa da Erica ninguém contraiu a Covid-19. Ela reforça que levou à risca as recomendações de prevenção desde o início, lembrando o filho Gabriel de sempre lavar as mãos, usar álcool em gel e máscara.

“Eu sei que ele sente muita falta de ir para a escola. De manhã ele ia para o CEF nº4 aqui de Sobradinho e de tarde ele ia para a APAE. Ele sente falta dessa rotina e das atividades que eu fazia com ele ao ar livre, como ir ao Parque da Cidade, ao Zoológico e à Torre de TV”, comentou Erica sobre a mudança na rotina do Gabriel e da família após as restrições da pandemia.

A APAE é uma organização não governamental e sem fins lucrativos que atende jovens, adultos e idosos com deficiência intelectual e múltipla de vários locais do Distrito Federal. A instituição promove a educação profissional, atividades acadêmicas, atendimento sócio-ocupacional, programas de inserção no mercado de trabalho e outros serviços destinados a esse público.

A coordenadora geral de Educação da APAE, Kelly Assunção, explica que a instituição teve que dar uma atenção especial aos jovens com Síndrome de Down: “Tivemos um grande aumento nos atendimentos psicológicos on-line. Nós observamos que foi muito prejudicial a queda da interação social que essa pandemia trouxe. Eles tinham uma rotina e isso é muito importante para eles, então a primeira coisa que vimos necessidade em cuidar foi a saúde mental dos nossos atendidos e seus familiares”.

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Kelly comentou que houve dificuldade em fazer os jovens com Síndrome de Down entenderem a importância do distanciamento social. Com a pandemia, também veio a grande necessidade da instituição traçar atividades diferenciadas e atendimentos adaptados: “Nós percebemos uma regressão no desenvolvimento cognitivo e social dos atendidos. Eles passaram a ficar mais nervosos e irritados. Aquela aprendizagem já conquistada – muitos já estavam em processo de alfabetização – deu uma regredida. Alguns cansaram do atendimento on-line e em muitas ocasiões nossos assistentes optaram por ir à casa dos jovens para atender”.

O Projeto “APAE em Casa” foi criado pela organização para levar os estudos a jovens e adultos com deficiência intelectual que preferem ficar em casa durante a pandemia ou não têm condição de estudar presencialmente neste momento. Os conteúdos são distribuídos pelo canal do projeto no YouTube, que conta com mais de 1 mil vídeos pedagógicos e educativos. Foram criados grupos de estudos também no Whatsapp com assistência especial matutina e vespertina a esses alunos e seus tutores.






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