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Brasília

Ressocialização com novas perspectivas

Arquivo Geral

10/08/2010 12h00

Aos 18 anos – mais de dois deles vividos no Centro de Atendimento Juvenil Especializado (Caje) – a jovem Stéfanny está prestes a deixar a unidade socioeducativa da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejus). Na bagagem, ela leva um currículo de vitórias e superação. A moça, que sonha em se tornar uma profissional, ajudar a mãe e os dois irmãos que vivem em Santa Maria, está eufórica com as transformações que estão ocorrendo em sua vida. Após ingressar como zagueira no Ascoop – time de futebol feminino profissional, campeão brasiliense da Copa 2010 – ela agora frequenta a faculdade.

Depois de concluir o segundo grau no Caje, a interna decidiu se preparar melhor, adquirir conhecimento e ir à luta. Arriscou um vestibular na Instituição de Ensino Superior (Unicesp) para o curso de administração e foi aprovada. De presente, Stéfanny ganhou uma bolsa de estudo integral, pela perseverança e determinação. Desde  a última quarta-feira (04), ela ocupa uma cadeira de universitária, na busca de melhores perspectivas para a sua nova vida.

Um gol inédito
O tempo ocioso de Stéfanny ficou para trás. Além da faculdade, nas terças, quintas e sextas-feiras, ela também deixa o centro socieducativo para treinar no Ascoop. A responsabilidade aumentou após seu time vencer o Campeonato Brasiliense de Futebol Feminino – o Candangão 2010. Agora, inicia a etapa nacional e, se depender dela, o Distrito Federal será o campeão da Copa do Brasil promovida pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol). 

A estreia de Stéfanny no campeonato nacional será no próximo dia 26 contra o Atlético Mineiro. O jogo será no estádio Bezerrão, no Gama (DF). No dia 14, a zagueira vai defender a Ascoop em um amistoso contra o campeão goiano de futebol feminino, no estádio serra Dourada, em Goiânia (GO). A partida será uma preliminar da disputa entre o Botafogo e o Atlético Goianiense na série “A” do campeonato brasileiro.

Segundo o chefe do Núcleo de Esporte e Recreação do Caje, Delton Pereira da Silva, que já atuou como jogador profissional no DF, São Paulo e Minas Gerais, esta é a primeira vez em que uma interna, cumprindo medida socioeducativa, participa de um time profissional e de uma copa nacional. “Em nenhum lugar do país uma adolescente, nessas circunstâncias, teve uma oportunidade dessas”, lembrou Delton. Ele disse ainda que Stéfanny está satisfeita e bastante empolgada com essa guinada que ocorreu em sua vida.

Para Delton, o futebol tem uma importância relevante dentro do Caje. “A gente percebe uma grande transformação nos adolescentes quando promovemos torneios e quando eles se destacam no futebol”, afirmou. O presidente da Ascoop, Arnaldo Freire, concorda com Delton. “Já que o futebol é um meio socieoeducativo tão importante, deveria haver mais investimento nessa área”, acrescentou. Rígido na disciplina das atletas, Arnaldo exige de Stéfanny dedicação no esporte e bom desempenho nos estudos.

 

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