A desistência do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) da corrida pelo Senado deve provocar um rearranjo na coligação que deve apoiar a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), em sua tentativa de reeleição este ano. As mudanças devem ocorrer não apenas no ninho emedebista, mas também nos demais partidos que coligarão com a chefe do Executivo local.
Antes mesmo da desistência de Ibaneis, Celina Leão havia apoiado a candidatura da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e da deputada federal Bia Kicis, ambas do PL, ao Senado Federal, a despeito do que queria o ex-governador que esperava um apoio explícito, que nunca veio. O movimento de Celina enfraqueceu uma possível aliança com o MDB, naquele momento, que ameaçou rachar de vez com a governadora e até lançar candidatura própria ao Palácio do Buriti.
O presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, chegou a dizer que não poderia coligar oficialmente com Celina, mas que iria apoiá-la. Entretanto, há uma ala do Partido Liberal no Distrito Federal que se recusa a subir no palco da governadora – em decorrência de divergências entre Michelle e de seu enteado, o pré-candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro – e ainda tenta convencer o diretório nacional a fechar com o ex-governador José Roberto Arruda (PSD). Entre os nomes estão o senador Izalci Lucas e o deputado federal Alberto Fraga.
Com o PL rachado, quem se fortalece na chapa de Celina Leão é o Republicanos, que tem dois deputados federais e dois deputados distritais, além de pré-candidatos de peso que poderiam colaborar com a campanha ao Palácio do Buriti. Além disso, escalado pelo próprio Ibaneis Rocha, em tese, o candidato a vice-governador na chapa de Celina será o ex-secretário da gestão passada Gustavo Rocha, filiado ao mesmo Republicanos. Porém, ele era o homem forte de Ibaneis, o que cria um clima de desconfiança sobre a quem ele será leal.
Redesenho
Segundo uma fonte, a saída de Ibaneis Rocha provocará o redesenho da chapa – que diga-se de passagem, nunca foi oficializada. Com Celina na cabeça para o governo, a vaga de vice-governador deverá mudar, por uma questão eleitoral mesmo. “O Gustavo Rocha é pouco conhecido da população e não acrescenta em nada para a obtenção de votos para a Celina. Não acredito que ele será mantido.”
Sem Ibaneis, a vaga a vice deverá ser oferecida ao próprio MDB para que ele, enfim, tenha uma posição de destaque na chapa de Celina, uma vez que o MDB não terá outro nome para disputar o Senado. “O problema agora é quem será. Não acredito que ela – Celina Leão – vá querer um nome como o do José Humberto [ex-secretário da gestão Ibaneis] ou o Rafael [Prudente, deputado federal]. O certo é que, agora, ela não tem mais como não aceitar o MDB na chapa”, afirmou.
Por sua vez, o Republicanos também quer protagonismo e se movimenta nesse sentido. Sem Ibaneis na chapa, com o enfraquecimento de Gustavo Rocha e com as pesquisas indicando que, mesmo de mãos dadas com Michelle Bolsonaro, Bia Kicis não decola para o Senado, a sigla ligada ao segmento evangélico deve querer indicar um dos nomes à Câmara Alta.
De acordo com a fonte, em caso de desistência de Ibaneis, o indicado seria o deputado federal Fred Linhares, um dos mais votados na eleição passada e primeiro na lista do Republicanos para qualquer cargo majoritário no momento.
Contrários
Muito atrelados à Michelle Bolsonaro no Distrito Federal e à senadora Damares Alves (Republicanos-DF), alguns nomes do Republicanos querem ir aonde for o PL da ex-primeira-dama. Os discursos teocráticos da ex-presidente do PL Mulher agradam a setores do neopentecostalismo, que vota de acordo com suas crenças religiosas e no qual o partido cresceu, principalmente por sua ligação com a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Essa influência dentro da própria denominação vem diminuindo, devido ao aparecimento de outros nomes, mas ainda tem relevância na contagem de votos.
Sinalização de paz
Na última quarta-feira (8), horas antes da desistência de Ibaneis Rocha, a governadora Celina Leão e Rafael Prudente, sob a supervisão de nomes do MDB e do PP, se encontraram para discutir suas diferenças.
Em um breve resumo, Rafael Prudente vinha ensaiando ter seu nome lançado ao próprio governo, aproveitando que Celina não declarava abertamente seu apoio à candidatura de Ibaneis ao Senado. Prudente, então, procurou a Executiva nacional do MDB e se colocou à disposição do partido.
Agora, em reunião com a governadora Rafael Prudente garantiu, diante de testemunhas dos dois campos, que será candidato à reeleição para deputado federal. Com isso, Celina terá menos um concorrente do seus espectro político para enfrentar nas urnas.