Bruna Sensêve
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Mulheres entre 40 e 49 anos enfrentam problemas para fazer o exame preventivo de mamografia na rede pública de saúde do Distrito Federal. Isso ocorre porque a Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) ainda não está adaptada à Lei Federal 11.664/2008 que estabelece o rastreamento de câncer de mama para mulheres a partir dessa faixa etária. A legislação entrou em vigor em 2009 e, três anos depois, existem apenas dez mamógrafos espalhados pelos hospitais da rede. Porém, só seis estão em funcionamento pleno. A estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) é de 880 novos casos este ano no DF.
A trabalhadora em serviços gerais Glenda Rubia da Silva Nunes, de 48 anos, convive com esse problema desde os 30 anos. Ela não se enquadra exatamente nas características exigidas pela SES-DF que prioriza certos pacientes na fila de espera por esse exame. Segundo o médico Arturo Otaño, gerente de câncer da SES-DF, a rede tem capacidade para atender somente mulheres entre 50 e 69 anos ou aquelas com o diagnóstico prévio da doença. Glenda tem problemas hormonais, o que ocasionou uma menopausa precoce e a indicação de seu médico para as mamografias anuais.
“Ele disse que eu tenho o risco porque preciso fazer reposição hormonal. Só consegui fazer o exame na primeira vez. Depois disso, entrei na fila, mas nunca fui chamada”, relata Glenda. Desde então, ela tem pago hospitais e clínicas particulares para realizar o exame. A situação pesa no orçamento da moradora do Riacho Fundo I, pois, além da mamografia, exames de sangue específicos e com o custo superior a R$ 200 têm de ser pagos por ela.
“O exame precisa ter a contagem hormonal detalhada e é bem mais caro. Sei que preciso me prevenir porque tenho chances de ter problemas graves”, diz, preocupada. Segundo Arturo Otaño, para que o atendimento se regularize, seria necessária a compra de mais aparelhos ou o aumento do funcionamento dos que existem. “Se fôssemos abranger mais uma década de vida das mulheres, teríamos que aumentar em mais 50% o número de equipamentos, funcionar aos sábados ou aumentar o terceiro turno. Precisamos fazer com que dê vazão à nossa necessidade”, explica o médico.
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