A primeira noite de Carnaval no Paranoá foi marcada por uma tragédia, price que resultou na morte de uma pessoa e deixou feridas outras – entre elas uma mulher.Aconfusão ocorreu por volta das 2h15 de ontem, na Praça Central, a cerca de 100 metros do posto da Polícia Militar.
Cerca de 500 pessoas dançavam e se divertiam ao som do axé music, quando Willian Lopes Bezerra, 22 anos, desentendeu-se com Egnaldo Ribeiro Santana, 19 anos. Eles teriam começado a brigar por causa de uma garota. Durante a confusão, Willian deu uma facada nas costas do rival. Egnaldo decidiu revidar. Sacou um revólver calibre 38, que carregava na cintura, e disparou cinco tiros contra o agressor. Os disparos causaram a morte de Leonardo Santana Santos, 22 anos, que não tinha nada a ver com a briga e apenas se divertia com amigos na festa de Momo.
Além de matar Leonardo, Egnaldo feriu Lezandra Neves da Silva, 20 anos, com um tiro na perna, e Marcelo Lima Santana, 18 anos, no braço. Willian está internado no Hospital Regional do Paranoá, em estado grave. Até o fechamento desta edição, ele
permanecia na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Segundo informações, o rapaz poderia ser transferido para o Hospital de Base (HBDF).
De acordo com o delegado Rodrigo Sanches Duarte, plantonista da 6ª DP (Paranoá), o autor dos tiros será autuado por homicídio qualificado (motivo fútil) e lesão corporal grave. Willian foi preso por policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar, próximo ao local do crime.
O suspeito jogou a arma fora, mas os policiais a encontraram. Em princípio, ele pode ser condenado a uma pena de 30 anos de reclusão. A polícia prossegue as investigações e vai ouvir o depoimento de vítimas e de testemunhas do crime.
“Foi assustador”
Segundo a caixa de supermercado Maria de Fátima Silva, 18 anos, que se divertia com um grupo de amigas na Praça Centrao do Paranoá, na hora dos tiros muitas pessoas correram e outras ficaram deitadas no chão. “Foi assustador, mas logo depois as pessoas continuaram dançando como se nada tivessse ocorrido”, disse.
Maria de Fárima contou que no Carnaval passado também correram mortes no Paranoá. Ela teme que a confusão reduza o número de foliões na praça e esfrie o Carnaval das pessoas que querem se divertir, principalmente pelo receio de ser atingida por uma bala perdida, como ocorreu com Leonardo.
Procurada pela reportagem do Jornal de Brasília, a família do rapaz não quis se manifestar. Uma amiga que preferiu se manter no anonimato disse que o Paranoá é violento e reclamou da falta de segurança. “A polícia é só para tomar conta do comércio e só aparece quando o crime já aconteceu”, afirmou.
Para o delegado Rodrigo Duarte, os crimes ocorrem no Paranoá e também em outras cidades. Na avaliação do delegado, a polícia tem dado resposta à altura, com a prisão dos delinquentes. Ele citou, como exemplo, a própria prisão de Willian, lodo depois o crime.