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Brasília

Primeiro reimplante de dedo é realizado na capital

Arquivo Geral

16/06/2012 15h29

Leandro Cipriano

leandro.cipriano@jornaldebrasilia.com.br

 

A amputação clínica costuma ser a única saída na rede pública de saúde do Distrito Federal para quem perdeu algum membro do corpo em um grave acidente. Contudo, esse não foi o caso da ajudante de cozinha Daniela Siqueira Benevides, de 29 anos. Ela foi a paciente da primeira cirurgia de reimplante de dedo do DF, que ocorreu no Hospital Regional de Santa Maria (HRSM). Daniela precisou ser submetida ao procedimento para não perder o polegar esquerdo, devido a um acidente com uma arma. No momento, está em recuperação, e já restabeleceu algumas das funções do dedo.

 

A operação inédita no Distrito Federal ocorreu em abril, por meio do trabalho do ortopedista e microcirurgião especialista em mãos, Clézio Figueiredo Martins. Como o DF não possui um atendimento completo e focado aos casos de reimplante de membros, a situação de Daniela se tornou um marco na história médica local. Na opinião do especialista, o sucesso da operação era o incentivo necessário para a rede de saúde do DF idealizar uma nova fase, tendo um serviço de referência voltado para estas cirurgias.

 

“Os pacientes do DF que chegam à rede pública são amputados, e   acabam sendo descartados do mercado de trabalho, vivendo do INSS. Com essa possibilidade de reimplantar membros, há a chance de reintroduzi-los ao trabalho”, afirmou o ortopedista.

 

Acidente

Para quem presenciou o estado de Daniela logo depois de sofrer o acidente, a situação estava longe de parecer remediável. Há dois meses, ela foi atingida por uma arma calibre 12, que teria caído da cômoda. A bala destruiu parte da sua mão, antes de acertar o ombro. Para não perder o polegar esquerdo, foi levada às pressas ao HRSM. A paciente chegou ao hospital com o dedo preso apenas por um tendão. 

 

“Ela estava perdendo muito sangue. Achamos melhor ir a Santa Maria por causa do atendimento. Se tivéssemos ido para outro hospital, não sei se teriam feito o implante”, lembrou Maria Aparecida Benevides, 50 anos, mãe de Daniela.

 

Hoje, a paciente está perto de completar a reabilitação. Segundo a própria Daniela, o avanço é progressivo. “Quando cheguei no hospital, não sabia o que aconteceria. Agora tudo está certo. Ainda dói um pouco para pegar as coisas, mas estou sentindo a melhora”, contou.

 

O ortopedista Clézio Figueiredo revela que apesar de desafiador, o caso de Daniela ainda era viável, pois a mão estava ligada ao antebraço por um tendão. Ainda assim, foi preciso retirar uma pequena parte da estrutura óssea do quadril e colocá-la no dedo da paciente, para repor totalmente a estrutura do polegar.

 

Com a ajuda de um microscópio, a equipe médica fez duas operações, durante quatro horas: a primeira foi a reconstrução da parte óssea, a segunda foi o religamento de tendões, artérias, veias, passando então por realinhamento dos nervos  e a reconstituição da pele da paciente.

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