A decisão de conceder a liberdade foi do juiz da 6ª Vara Criminal, Sebastião Coelho, que acatou o pedido impetrado pela defesa do padre. Segundo o advogado Cleber Lopes, o magistrado entendeu que não havia mais necessidade de deixar E.M.F. preso porque ele não representa ameaça à sociedade e nem às testemunhas do processo.
O pároco, no entanto, não poderá sair do Distrito Federal sem autorização da Justiça. Apesar de não ter sido condenado, a Arquidiocese de Brasília decidiu afastá-lo das atividade sacerdotais até a conclusão do caso.
Na opinião do pai das vítimas, o padre deveria permanecer preso e ser condenado para pagar pelos crimes praticados. Uma de suas filhas ainda sonha com os abusos sexuais supostamente praticados pelo religioso e acorda assustada. “Nenhuma autoridade veio aqui conversar para saber o estado de saúde de nossos filhos”, desabafou.
O pai teme pela segurança da família. Diz que o padre havia telefonado para a mãe das crianças, antes de ser preso, e teria ameaçado dizendo: “Esse caso não vai ficar assim e vocês ainda vão pagar por essas acusações infundadas”.
O religioso, segundo a denúncia, se valia da condição de padre e prometia presentes para atrair as crianças. Pais e filhos frequentavam a igreja e confiavam no religioso. Ele jogava futebol, fazia refeições na casa das vítimas e bebia com o pai delas.
Os supostos abusos teriam acontecido durante o trajeto da igreja para a casa das vítimas e do religioso, em um condomínio na mesma região. O suspeito atrairia as crianças prometendo ajuda para trabalhos escolares em seu computador ou pequena quantia em dinheiro. Foi um tio das crianças que denunciou o caso ao Conselho Tutelar e à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). O padre estava preso desde o último dia 30 por determinação judicial.