Anderson Souza
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Na manhã desta sexta-feira (25), no Dia Nacional do Respeito ao Contribuinte, os motoristas de Brasília já faziam fila na entrada do posto Jarjour, localizado na quadra 206 do Eixo L da Asa Norte, para poderem abastecer seus automóveis e pagar por um preço mais leve para o bolso. Livre de impostos, o valor do litro do combustível, que custa R$ 2,82, está sendo cobrado por R$ 1,77 somente nesta sexta. Cada carro poderá abastecer até 20 litros e o pagamento será feito apenas em dinheiro. Às 8h30, a fila já chegava na altura da quadra 209/210 Norte. O posto deverá distribuir 30 mil litros de combustível, o dobro do que será comercializado em outras cidades do país que aderiram ao Dia da Liberdade de Impostos. A venda ocorre sem a cobrança de tributos como a CIDE, PIS, Confins e ICMS.
Em Brasília, o motivo dessa alteração de preço da gasolina é a parceria do posto com a Câmara de Desenvolvimento Lojistas Jovem (CDL Jovem-DF), que tem como objetivo chamar a atenção da sociedade para a alta carga tributária praticada no Brasil, uma das maiores do mundo. De acordo com o especialista em direito tributário da CDL Jovem-DF, Henrique de Mello Franco, a carga tributária real do Brasil é bem maior do que deveria. “Nossa carga tributária real chega a ser superior a 50%, sendo que em outros países em desenvolvimento, como a China, essa carga é inferior a 30%”, diz. O presidente da CDL Jovem-DF e diretor da Câmara Nacional de Dirigentes Lojistas Jovem, Samuel Vasconcelos, informa que a ação busca “conscientizar os consumidores e pressionar as autoridades para que gastem melhor o dinheiro público”. Vasconcelos afirma que o povo brasileiro trabalha, em média, 150 dias no ano somente para pagar tributos, mas o retorno não é satisfatório. “Com o valor arrecadado de impostos, a qualidade da educação ou da saúde, por exemplo, deveria ser bem melhor”, conta.
Muitos motoristas que estavam na fila reclamaram do preço cobrado pelo combustível por conta do imposto. É o caso do vigilante Jean Magalhães, de 31 anos, que ficou mais de duas horas na fila até ser atendido. “Essa campanha é ótima, não somente pelo barateamento, mas para notarmos o quanto gastamos com o imposto. É um absurdo”, lamenta.
Esta é a terceira ação da parceria da CDL Jovem-DF com o posto. Em 2010, a ação provocou uma fila de sete quilômetros de carros no local, e em 2011 chegou a seis quilômetros. Ainda de acordo com Mello Franco, a ação não chega a gerar lucros para o posto. “Como o posto terá que arcar com os impostos que não serão pagos pelos consumidores e as fornecedoras apertam muito os varejistas, o lucro não existe”, afirma. Sobre o horário de término do abastecimento, o proprietário do posto, Thiago Jarjour, informou que no ano passado, o posto fechou por volta das 20h e 42 mil litros foram distribuídos, mas foi uma exceção. “Isso aconteceu porque não queríamos prejudicar os outros que aguardavam horas na fila. Desta vez queremos distribuir os 30 mil litros”, lembra.