Marcelo Vieira
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A partir do próximo dia 2, 11 milhões de servidores públicos de todo o País, incluindo os 180 mil funcionários do GDF, poderão escolher em qual banco querem receber os salários. Trata-se da implementação da portabilidade bancária no funcionalismo público, direito conferido por determinação do Banco Central (BC) em 2006.
A operação é simples e rápida (confira o quadro ao lado). Só muda quem quiser. Para os especialistas ouvidos pelo Jornal de Brasília, a portabilidade pode, nos primeiros meses, acirrar a concorrência entre os bancos. No entanto, essa concorrência tenderá, segundo enfatizam, a se acomodar ao longo do tempo, gerando um aumento das taxas cobradas nas operações de crédito e nos juros do cheque especial.
Entre os bancos que serão mais prejudicados pela medida estão o Banco do Brasil e o Banco de Brasília (BRB). Quem tem empréstimo no banco de origem também terá direito à portabilidade bancária. A diferença é que a transferência da conta-salário acontecerá já com o desconto do valor da prestação. O cliente só perderá o direito dessa transferência direta e da isenção de tarifas se optar pela conta-corrente, ficando sujeito aos preços cobrados pelo banco.
O BC aconselha aos clientes que optarem pela portabilidade a procurar o gerente do banco de origem para mais esclarecimentos, uma vez que essa operação pode envolver taxas, descontos, entre outros detalhes. Com a medida, o correntista não ficará mais “preso” ao banco porque possui empréstimos.
Falta de interesse
Para o economista Elder Linton Alves de Araújo, do Conselho Regional de Economia do DF (Corecon-DF), a migração de crédito ainda é tímida no DF por falta de interesse dos bancos. “Para mudar, o cliente precisa ir ao gerente, que não tem interesse na mudança, pois o banco tem suas políticas de retenção de clientes. Muitas vezes, o correntista acaba sendo convencido a ficar na instituição de origem”.
Segundo o economista, o melhor caminho é a informação. “Os bancos precisam ser mais transparentes”. Segundo ele, as instituições usam os salários como um modo de reter clientes. “Um banco de varejo vive de escala e, com as folhas, pode oferecer pacotes com redução de tarifas”. Araújo, no entanto, não acredita em grandes mudanças.
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