Carlos Carone
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As organizações criminosas que movimentam milhões de reais com os jogos de azar possuem raízes profundas e que dificilmente serão cortadas, principalmente nas cidades da Região Metropolitana do DF. Mesmo com a prisão do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, todas as cidades goianas que cercam o Distrito Federal ainda servem de refúgio para as casas de jogos ilegais.
Um mapeamento feito pelo serviço de inteligência da Secretaria de Segurança de Goiás aponta que Valparaíso, Luziânia e Águas Lindas ainda estão coalhadas de pontos onde a jogatina é constante, mesmo com a prisão dos principais envolvidos no esquema desmantelado pela Operação Monte Carlo da Polícia Federal, no mês passado.
Com Cachoeira e seus comparsas fora de combate, um novo fenômeno começou a ocorrer. Integrantes de outros bandos que faziam concorrência a Cachoeira começaram a se movimentar para tomar os pontos que eram ocupados pelo grupo desbaratado pela Polícia Federal. Os grupos já se mobilizaram para tomar conta do faturamento milionário antes embolsado pelo rei da contravenção dos jogos de azar.
Bares, lanchonetes e todo o tipo de comércio estão na mira dos novos contraventores que estão aproveitando para espalhar máquinas caça-níqueis por cidades como Valparaíso, Luziânia e Águas Lindas. Segundo uma fonte policial ouvida pela reportagem do Jornal de Brasília, a ação teria se tornado ainda mais rentável com o afastamento das funções de policiais militares e da Polícia Civil que tinham ligações com Cachoeira e recebiam uma gorda propina para alimentar o bando com informações privilegiadas.
O promotor de Justiça do Ministério Público em Goiás Bernardo Boclin, que participou do início das investigações, afirmou que o grupo de Cachoeira estava infiltrado em órgãos importantes, como a Polícia Militar, Civil, Federal e até no Poder Judiciário. “Todos foram identificados e citados no inquérito”, disse.
Leia mais na edição desta terça-feira (3) do Jornal de Brasília.