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Brasília

Polícia soluciona crime cometido há 14 anos no DF

Arquivo Geral

09/12/2011 20h24

Eric Zambon

eric.zambon@jornaldebrasilia.com.br


A justiça tarda, mas não falha. Nesta sexta-feira (9), a Coordenação de Investigação de Crimes Contra a Vida (Corvida) desvendou o homicídio do cabeleireiro Luiz Antônio Gomes da Costa, 47 anos, que aconteceu há 14 anos em seu apartamento no Cruzeiro Novo.

A delegada da Corvida, Lúcia Antônia Bandeira, contou que Francisco de Souza Geraldo, 38 anos, foi identificado como suspeito através de uma nova análise das digitais e manchas de sangue deixadas na cena do crime, solicitada em agosto deste ano. Francisco teria cedido uma amostra sanguínea que o teria incriminado. Após a confirmação, ele teria sido encaminhado à delegacia, onde confessou ter praticado o ato tanto a policiais quanto a jornalistas, alegando ter agido em defesa própria.

Em 17 de agosto de 1997, Francisco de Souza estaria jogando futebol no Parque da Cidade com amigos. Luiz Antônio teria aparecido de carro no local e pedido ao acusado que o acompanhasse até seu apartamento para a entrega de um presente comprado nos Estados Unidos. Francisco teria aceitado o convite, mas, ao chegar na casa da vítima, teria sido assediado sexualmente.

Luiz teria tentado consumar a relação sexual, mas Francisco teria negado, o que provocou uma discussão e, posteriormente, uma luta. Luiz teria pegado uma faca de fatiar pão para ameaçar o suspeito que, em meio à briga, teria esfaqueado seu suposto agressor no pescoço, provocando sua morte.

O autor do crime, assustado e ferido, teria buscado tratamento no Hospital de Base e, logo em seguida, no Hran, para então fugir para Goiânia e, posteriormente, para sua cidade natal, Canindé, no Ceará, onde teria ficado por cerca de um ano.

Essa é a versão contada pelo acusado à imprensa e à polícia, que ainda está apurando os fatos e verificando a versão do suspeito.

A delegada Lúcia Antônia Bandeira ainda espera a conclusão do inquérito sobre o caso, mas põe em dúvida a alegação de legítima defesa de Francisco.“Há pelo menos 10 facadas na parte superior do tronco e, principalmente, no pescoço. É um número muito grande de facadas para ser legítima defesa.”, diz a delegada.

Bem articulado e falante, o réu confesso disse ter sofrido abuso sexual de familiares na infância e que talvez por isso sua reação à agressão da vítima tenha sido exagerada. Ele conta que já morou na Alemanha, inclusive recebendo o apelido de “Stuttgart” (cidade alemã) após sua vinda à Brasília, e que estava esperando receber uma proposta para trabalhar em uma emissora de televisão famosa. A polícia, no entanto, não confirma nenhuma das informações.

Francisco não era suspeito à época do crime e, segundo a delegada Lúcia Antônia, não fazia parte do círculo de amigos do morto. As conexões entre o acusado e a vítima ainda estão sendo apuradas. O suspeito está detido temporariamente por 30 dias e pode ser levado a júri popular, a princípio, por homicídio qualificado. Se condenado, pode pegar, no mínimo, 12 anos de cadeia.

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