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Brasília

Polícia prende 21 pessoas após tentar invadir área pública em São Sebastião

Arquivo Geral

18/01/2012 19h18

Kátia Gomes

katia.gomes@clicabrasilia.com.br

 

A Polícia Civil  prendeu em flagrante  21 pessoas acusadas de iniciar um loteamento em uma área pública ao lado do Centro Olímpico de São Sebastião na tarde desta quarta-feira (18). Segundo o delegado da 30ª Delegacia de Polícia (São Sebastião), Flamarion Vidal, eles estavam demarcando a área com barbantes e piquetes.

 

O grupo foi descoberto pelo próprio delegado, que passava pelo local em um carro da polícia descaracterizado e perguntou o que eles estariam fazendo. “Eu parei e perguntei: vocês estão vendendo? Então um dos grileiros respondeu que ainda não estavam vendendo, estavam apenas invadindo”, conta. Segundo o delegado, após a confirmação do parcelamento ilegal de terra, ele retornou à delegacia e reuniu os agentes para efetuar a prisão.

 

De acordo com Vidal, outras 20 pessoas conseguiram fugir do local. Para o delegado, os lotes seriam vendidos depois de repartidos. “Eles não são pessoas que precisam de lotes. Muitos têm dinheiro e já possuem casa própria. Esses lotes seriam vendidos após a ocupação. Inclusive um deles é dono de um Corolla que está estacionado próximo ao local”, conta.

 

Movimento

Segundo o delegado, os presos estão se sentido “enganados e indignados”, pois a mulher que eles denunciam como sendo a mandante da invasão não foi presa. Os grileiros confessaram que está sendo organizado um movimento para agir simultaneamente em outras áreas da cidade, grilando vários pontos ao mesmo tempo. “As invasões são feitas rapidamente durante dois, três dias, e se virar residência só é possível retirá-los com ação judicial. Por isso, nós vamos trabalhar para combater todas as áreas invadidas aqui em São Sebastião antes que os lotes sejam ocupados”, afirma o delegado.

 

Um dos presos, o carpinteiro P.C., 37 anos, contou que foi até uma área ao lado da rodoviária tentar invadir, mas chegando ao local ela já estaria totalmente ocupada. “Assim que eu deixei o local  fui atraído por uma mulher com a promessa de que o lote ao lado do Centro Olímpico estava liberado para ocupação. Ela me cobrou R$ 10 para comprar barbantes e machados para limpar a área e garantiu que o lote seria meu”, contou ele. Segundo o carpinteiro, a mulher falou que um deputado havia conseguido a liberação da área e que iria se reunir com todos para passar um documento que garantiria o lote. “Ela anotou o nome, telefone e endereço de todos para manter contato assim que o local tivesse totalmente demarcado”, confessa.

 

Sonho

O pedreiro G.R., 48 anos, também estava entre os presos. Ele mora no Maranhão e veio para Brasília trabalhar para conseguir terminar de construir a casa que possui em sua cidade. Segundo ele, o seu sonho é conseguir uma casa em Brasília, pois ele considera que a oportunidade de emprego é melhor e o salário que recebe é mais que o dobro, se comparado com o Maranhão. “Aqui eu moro com a minha mãe. Eu sei que o que eu fiz é errado, eu tinha consciência que estava invadindo uma terra particular, mas era uma oportunidade de conseguir a minha casa própria”, confessa.

 

O pedreiro contou a versão de que foi atraído por uma mulher para realizar o parcelamento ilegal da terra. Para o delegado, ela pode ser uma das mandantes do crime e os grileiros estavam fazendo o papel de laranjas. O delegado da 30ª DP garante que vai atuar para combater a grilagem de terra na cidade.

 

Mandantes

Após ouvir o depoimento de todos os envolvidos, a polícia irá trabalhar para tentar chegar aos mandantes do crime. “O nosso primeiro passo será localizar os líderes e depois identificar as áreas de risco”, afirma. Além disso, o delegado afirmou que notificará a Agência de Fiscalização (Agefis). Se condenados por invasão de área pública, eles podem pegar entre um e quatro anos de prisão.

 

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