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Brasília

PM nega ter dado o tiro fatal em mulher na Ceilândia

Arquivo Geral

29/02/2012 7h00

 

Gabriela Coelho
gabriela.coelho@jornaldebrasilia.com.br

 

Ocabo da Polícia Militar acusado de matar a estudante Ângela Martins, 33 anos, com um tiro na cabeça durante uma festa em um lava a jato, apresentou-se ontem à polícia. F.C.B., de 43 anos, prestou depoimento na 15ª Delegacia de Polícia (Ceilândia), responsável pelo caso, durante cerca de duas horas meia. O advogado do policial militar preferiu não se pronunciar e deixou a delegacia em silêncio após o depoimento de seu cliente.

 

Segundo o delegado-chefe da 15ª DP, Celízio Espíndola, o militar afirmou que estava na festa na hora do tiroteio, mas não assumiu ser o autor do disparo que matou Ângela. “O policial alegou, em depoimento, que esteve na festa e na portaria, e que teria havido uma discórdia entre o dono do lava a jato e ele”, relatou.

 

Espíndola conta que o suspeito teria solicitado ao segurança da festa uma pulseira de livre acesso. “O pedido foi negado pelos seguranças e, com isso, F.C.B. teria se irritado . Ele disse ter dado um tapa no rosto de um dos seguranças. Alegou, também, que o segurança o teria xingado”, explica o delegado.

 

Diante do ocorrido, o militar relatou que teria dado um tiro, mas no chão. “Ele gritou que era PM e foi em direção ao carro. Com o nervosismo, a chave quebrou na porta e não teve como ele sair. Segundo o policial, os seguranças se juntaram contra ele no carro e ele teria, então, atirado para cima”, completa. Segundo o delegado, ele fugiu após os disparos porque estaria sendo perseguido.

 

A polícia informou que o irmão do dono do lava a jato onde a festa foi promovida seria um policial federal. Espíndola disse que em depoimento, o homem, de identidade não revelada, teria contado que F.C.B. não atirou para cima, e sim, nas pessoas da festa. “Ele contou que o militar estava nervoso e, para dispersar a multidão, atirou contra as pessoas”, esclareceu o delegado.

 

Punições

F.C.B. não ficará preso na delegacia por ter se apresentado por livre e espontânea vontade. “Ele foi encaminhado para a Corregedoria da PM, para responder processo disciplinar”, explica o delegado. Segundo ele, o suspeito admitiu que tinha ingerido bebida alcoólica. Apesar de ele negar o envolvimento com a morte da jovem, a polícia não tem dúvidas de que o tiro partiu da arma do cabo da polícia.

 

Em nota, a Polícia Militar do DF (PMDF) lamentou o fato e informou que tão logo o policial se apresente e seja colocado à disposição da PMDF, será encaminhado ao Centro de Assistência Social, onde será submetido a acompanhamento psicológico, ficando afastado de suas atividades neste período.

 

A corporação afirmou também  que será aberto procedimento apuratório, pela Corregedoria da PMDF, a fim de se verificar as circunstâncias que envolveram os fatos. Informa ainda que o policial militar está sujeito às sanções previstas em lei, que poderá chegar, até mesmo, à sua exclusão da corporação.

 

Leia mais na edição impressa desta quarta-feira (29) do Jornal de Brasília.

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