Vinícius Borba
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ACapela de Nossa Senhora de Trindade, no alto do Morro da Capelinha, em Planaltina, onde é encenada a maior Via-Sacra do Distrito Federal, sofre com o abandono e o desgaste. O local, muito procurado por turistas, principalmente na Semana Santa, tem muito lixo espalhado, pichações e problemas estruturais, como vigas do teto expostas e concreto rachado.
A Administração Regional de Planaltina afirma que, mesmo com grande apelo público, não pode legalmente realizar melhorias no local por ser propriedade privada. O Governo do Distrito Federal estaria, agora, no aguardo da desapropriação das terras, para possível edificação de uma nova capela, projetada por Oscar Niemeyer.
Segundo o administrador regional de Planaltina, Nilvan Vasconcelos, a questão da propriedade privada do Morro faz com que ele não possa investir pessoal e recursos para manutenção do local, sob pena de prática de improbidade administrativa. “Estamos impedidos legalmente de dar manutenção, já que é um terreno privado. O governador está fazendo um decreto de desapropriação para indenizar o proprietário atual e poder tornar o local de propriedade pública, momento em que poderemos atuar diretamente. Temos a expectativa de que até dezembro deste ano isso ocorra”, diz o administrador.
Enquanto isso, entidades de proteção ao patrimônio histórico cobram reformas e limpeza da área, que poderia atrair muitos turistas ao longo do ano. Além disso, denunciam a frequência de grupos para consumo de drogas, bebida e ponto de tiro ao alvo, sem qualquer repressão.
O casal Valdemira Araújo, de 58 anos, e Moisés Fabiano, de 46, passaram ontem rapidamente pelo Morro da Capelinha para apreciar a vista e contemplar a cidade onde vivem, mas preferiram não descer do carro. “A gente fica preocupado com o que pode acontecer, pois já estamos acostumados com o perigo”, diz Moisés.
Ontem, ainda havia viaturas da PM na região, mas o casal afirma que essa não é uma constante, pois passada a Semana Santa, acaba a segurança. “Até o ano 2000, era possível vir até à noite, mas depois disso a violência aumentou e não viemos mais”, afirma Moisés. O casal reclama ainda do abandono da capela. “Agora, neste período de Semana Santa, a capela está um pouco melhor e até pintadinha, mas falta estrutura do mesmo jeito e ainda se percebe o grande desgaste. Ficamos do carro, prestigiando, e vamos embora”, diz Valdemira.