Kamila Farias
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Quem pensa que morar em Brasília é sinônimo de qualidade de vida deve repensar seus conceitos. Ainda há muito que melhorar em relação à água, pavimentação, esgoto, iluminação, calçadas, bueiros, coleta de lixo e até arborização, mesmo sendo conhecida como cidade-parque. A capital perde de longe para outras cidades, como Goiânia (GO) e Belo Horizonte (MG), estas sim apontadas como as campeãs em qualidade de vida. Os dados constam do Censo 2010, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), que acaba de divulgar os dados sobre as características dos domicílios urbanos e do seu entorno.
De 15 capitais avaliadas em seis itens, Brasília não se destaca em nenhum deles: ocupa a 12ª posição em arborização, com 37,2% da área; 8º lugar em quantidade de calçada (78,2%); 7ª em pavimentação (93,2%); 10ª em identificação de logradouro; 4ª em quantidade de bueiros (66,5%). O melhor dado foi em relação à iluminação pública, com 98,2%, no entanto, o índice é satisfatório em todo o Brasil.
De acordo com o diretor de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas da Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), Júlio Miragaya, a situação de Brasília não é boa. “Se compararmos a Goiânia, todos os indicadores de Brasília estão ruins. E pioram, considerando a renda, que é bem acima do restante do País”, alerta.
A auxiliar de serviços gerais Rose Silva mora em São Sebastião e pede prioridade para o esgotamento e asfalto. “A água encanada e a luz chegaram há uns dez anos e de resto não tem nada. Tive um câncer e acho que foi por falta de saneamento básico, pois passei anos bebendo água de mina e até hoje estou convivendo com fossa em casa”, disse.
Problemas também são encontrados em regiões de classe média alta, como o Jardim Botânico. “As ruas alagam tanto que a água chega até o joelho, tudo por falta de bueiro. Nada aqui tem acessibilidade. A infraestrutura deixa a desejar”, conta a operadora de caixa Regiane Dias.
Arborização
O pior desempenho do DF foi em relação à arborização, principalmente pela situação encontrada nas regiões administrativas. De acordo com o pesquisador da Universidade Católica, Genebaldo Freire, a situação é crítica. “As áreas que tínhamos estão sendo substituídas por prédios e estão diminuindo a cada dia. O plantio que se faz é com espécies não adaptadas ao Cerrado e, com isso, a cada cem plantas, apenas três sobrevivem”, afirma.
No entanto, conforme a Novacap, anualmente, são plantadas milhares de árvores típicas, em substituição às que precisam ser retiradas. As ações acontecem nas quadras residenciais, canteiros, parques, unidades de conservação e áreas degradadas. Normalmente, são plantadas 75% de espécies nativas e o restante de outros biomas.