Francisco Dutra
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Apenas neste ano, foram investidos R$ 368,5 milhões nas vias do Distrito Federal. Foram obras de ampliações, novos viadutos e outras mudanças. Mas qual é o real impacto dessas obras para o trânsito da cidade? Segundo especialistas, o resultado final deste investimento não é nada confortável para o trânsito brasiliense. Aliado a uma série de incentivos para a compra de automóveis e a atual deficiência no sistema público de transporte coletivo, as vias mais largas são apenas um incentivo para a compra de mais veículos individuais. E com mais carros nas ruas, as novas vias ampliadas logo estarão engarrafadas por uma frota mais numerosa. E mais obras serão necessárias. Resultado: o número de veículos aumenta de ano a ano – até o mês passado, alcançou a marca de 1.198.721.
Acelerada por pistas mais largas e pagamentos a prestações a perder de vista, a frota recebe 295 novos carros por dia. São 24 carros novos circulando nas pistas do DF a cada hora. Em contrapartida, o número de ônibus coletivos continua pequeno em relação à população economicamente ativa do DF, que teoricamente necessita de transporte para ir ao trabalho ou procurar emprego. Em números são 2.973 ônibus para 1,4 milhões de brasileiros.
“É preciso inverter as prioridades. As pistas têm alguns pontos de estrangulamento sim. Principalmente nos acessos de Brasília para as cidades satélites. Mas a diretriz do governo deveria ser o transporte público coletivo em modelo que não fique mais tão dependente dos empresários”, propõe o especialista em trânsito da Universidade Brasília (UnB), Paulo César Marques. “O governo desenvolveu o projeto do Brasília Integrada. É muito bom, só falta implementar. Se as coisas não mudarem, a tendência é que o trânsito só venha a piorar”, prevê.
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