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Brasília

Pelo menos mil pessoas podem ter sido lesadas com a compra de lotes inexistentes

Arquivo Geral

12/08/2010 9h23

Carlos Carone

carone@jornaldebrasilia.com.br

 

Pelo menos mil pessoas lesadas e um prejuízo de R$ 10 milhões. Esse é o saldo de investigações conduzidas pela Polícia Civil, que  descobriu a existência de uma quadrilha formada por servidores da Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (Codhab). O grupo expedia termos de ocupação de lotes em diversas cidades do DF que jamais existiram ou então ficavam em áreas públicas. Uma operação deflagrada, ontem de manhã, pela Divisão de Repressão aos Crimes Contra a Administração Pública (Decap), cumpriu mandados de busca e apreensão na sede da Codhab, no Setor Comercial Sul.

 

A primeira fase da Operação Afheim, que faz menção a uma terra de fantasia, habitada por seres da mitologia nórdica, envolveu apenas o cumprimento dos mandados de busca. Pelo menos mil processos suspeitos foram apreendidos, além de vários discos rígidos de computadores. Na Codhab, foram vasculhados a presidência do órgão, o Departamento Jurídico, a Diretoria Imobiliária, o arquivo e o local onde funcionava uma força-tarefa que apurava, administrativamente, as irregularidades sobre a venda de lotes inexistentes.

 

De acordo com as investigações, que contaram com o apoio de promotores  de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e Social (Prodep), uma série de cooperativas vendia os lotes para os interessados, por valores que variavam de R$ 3 a R$ 18 mil. “Depois disso, as vítimas iam até à Codhab, que expedia toda a documentação necessária. Isso deixava os compradores tranquilos, mas quando eles chegavam até o local se deparavam muitas vezes com um lixão ou com áreas públicas. Os lotes jamais eram encontrados, pois nunca existiram”, explicou o diretor da Decap, delegado Flamarion Vidal.

 

Servidores

O delegado reforçou a participação de servidores no esquema criminoso. “Não resta dúvida que todo o processo irregular contou com a chancela de funcionários da Codhab. As cooperativas também estão sendo investigadas e não descartamos a participação delas e nem de servidores de alto escalão do órgão”, afirmou Flamarion Vidal. O delegado lembrou que cerca de 40% dos lotes residenciais que existem no DF são destinados às cooperativas habitacionais.

 

A polícia suspeita que a rede de corrupção funcionava desde 2007, comercializando os lotes em cidades como Santa Maria, Recanto das Emas e Ceilândia. Em geral, as vítimas da quadrilha eram famílias humildes, com baixo poder aquisitivo e davam quase tudo que tinham para concretizar o sonho da casa própria. “Depois que o termo de adesão era pago, a vítima não recebia o lote e muito menos o dinheiro de volta”, destacou o delegado da Decap. A operação deverá ter desdobramentos nos próximos dias, onde vítimas e servidores da Codhab deverão prestar esclarecimentos na delegacia.

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