Vinícius Borba
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Os policiais civis do Distrito Federal suspenderam a greve iniciada no dia 27 de outubro e voltaram ao trabalho, mas em um ritmo diferente do habitual. A categoria iniciou uma operação padrão que pode levar a maiores demoras nos registros de ocorrências e nas investigações.
A decisão foi tomada ontem, em assembleia geral da categoria, no estacionamento do Parque da Cidade. Depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou a greve ilegal, na manhã de ontem, a Direção Geral da Polícia Civil (DGPC) deu um ultimato à categoria, ameaçando cortar ponto e punir criminal e administrativamente policiais que se negassem a registrar ocorrências ou faltassem o trabalho.
Na quinta-feira, o governador Agnelo Queiroz já tinha informado que, se a greve não fosse encerrada, os policiais civis não receberiam o pagamento de seus salários. Ontem, coube ao diretor-geral da PC, Onofre de Moraes, anunciar a determinação de sanções administrativas e criminais. “”Já ordenei a retirada dos cartazes, e hoje (ontem), às 16h ,todo o serviço deve ser normalizado”, informou o diretor da PC.
“Convoquei todos os delegados para que responsabilizem qualquer agente que se negar a registrar ocorrência pelo crime de prevaricação (omissão de prestação de serviço público), que pode levar a pena de prisão de três meses a um ano. Não posso permitir que a polícia mais bem paga do País para manter a lei siga com essa ilegalidade”, disse Moraes. Segundo o diretor, até então, todas as decisões dos grevistas tinham sido respeitadas, mas, após a decisão do STF, a situação não poderia continuar.
No horário determinado pela direção, os policiais civis ainda estavam reunidos em assembleia para decidir o rumo do movimento. Em votação sobre continuar a greve ou suspender a mobilização, foi aprovada a suspensão. No entanto, para manter a pressão sobre o governo para ter suas reivindicações atendidas, decidiram adotar uma nova estratégia: cumprir a lei à risca.
“Estamos chamando essa ação de operação padrão. O GDF diz que devemos cumprir a legalidade, por isso, a categoria deliberou que só trabalhará na legalidade”, disse o presidente do Sinpol DF, Ciro Freitas. André Rizzo, vice-presidente do sindicato, afirmou que as consequências serão ainda piores para a população, pela própria deficiência de pessoal nas filas da PCDF.
“Os efeitos acabam sendo mais prejudiciais à sociedade. O Estado terá de se confrontar com a própria cartilha. Hoje, muitas ações que só poderiam ser executadas com a presença de delegados, como depoimentos e histórico de ocorrências, bem como transporte de presos a hospitais com quantidade mínima de policiais e outras funções serão cumpridas à risca”, disse Rizzo.
“Como não temos efetivo suficiente, tudo será mais lento. Se você vai fazer cirurgia num hospital, não pode ser operado por enfermeiro. Na nossa categoria também, escrivão não vai mais fazer oitiva de testemunhas e funções que são de delegados, ou se expor a risco com menos policiais do que o previsto em transferências de presos, como fazíamos para garantir o bom serviço à população”, afirmou o vice.
Segundo o Sinpol, desde 1995 não há concurso para a categoria, apesar da população do DF ter aumentado vertiginosamente.
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