A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, nesta quinta-feira (9), a Operação Quéops e desfez um esquema milionário de pirâmide financeira que lesou empresários e investidores no Distrito Federal e em outros estados. O grupo, que utilizava uma suposta empresa sediada nas ilhas caribenhas São Vicente e Granadinas para transmitir credibilidade, prometia altos rendimentos sem nem possuir autorização para atuar no Brasil. A ação cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão em diferentes estados, após investigações apontarem prejuízos de milhares de reais às vítimas.
A promessa de ganhos elevados no mercado financeiro internacional escondia um esquema criminoso que, segundo a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), movimentou milhões de reais e deixou um rastro de prejuízos entre empresários e investidores. Na manhã desta quinta-feira, a corporação iniciou as ações para desarticular o grupo suspeito de operar uma sofisticada fraude financeira baseada em falsas plataformas de investimento.
Ao todo, foram cumpridos três mandados de prisão temporária e três de busca e apreensão. Dois dos investigados foram localizados em Santa Maria (RS) e outro em Manaus (AM). A investigação é conduzida pela Divisão de Análise de Crimes Virtuais (DCV), da Coordenação de Repressão às Fraudes (Corf).
De acordo com a Polícia Civil, a organização criava uma estrutura capaz de transmitir segurança aos investidores. O grupo afirmava representar uma empresa sediada em São Vicente e Granadinas, no Caribe, e dizia atuar com investimentos em criptomoedas e outros ativos financeiros no mercado internacional. Apesar da aparência de legalidade, a empresa não possuía autorização para oferecer esse tipo de serviço no Brasil.
As investigações apontam que a captação das vítimas começava nas redes sociais. Anúncios patrocinados levavam interessados a preencher um cadastro e, pouco tempo depois, eles eram procurados por supostos consultores financeiros que ofereciam aplicações com rentabilidade considerada acima do mercado.
Segundo a PCDF, para fortalecer a credibilidade da fraude, os criminosos orientavam os investidores a instalar programas de acesso remoto no computador e utilizavam plataformas que exibiam gráficos e saldos positivos, simulando a evolução dos investimentos. O ambiente virtual fazia parecer que o patrimônio estava crescendo diariamente, estimulando novos aportes.
Quando os investidores tentavam retirar o dinheiro, porém, surgiam novas exigências. Taxas, impostos e custos administrativos eram cobrados sob o argumento de que seriam necessários para liberar os recursos. Mesmo após os pagamentos, os valores continuavam indisponíveis e as vítimas eram convencidas a realizar novas transferências.
Foi justamente após uma dessas situações que a investigação teve início. Uma empresária do Distrito Federal procurou a Polícia Civil depois de perder aproximadamente R$ 245 mil ao acreditar que investia em uma plataforma internacional. A partir do caso, os investigadores identificaram um padrão de atuação e descobriram que outras pessoas haviam sido atraídas pela mesma estratégia.
A análise das movimentações financeiras revelou que os recursos não eram enviados à empresa estrangeira apresentada aos investidores. Conforme a investigação, o dinheiro era distribuído entre contas ligadas aos investigados e empresas utilizadas para ocultar a origem dos valores, além de operações envolvendo criptoativos, o que dificultava o rastreamento.
Outro ponto que chamou a atenção da polícia foi a incompatibilidade entre a renda declarada por alguns dos investigados e o volume de recursos movimentados. Um dos principais alvos da operação, por exemplo, teria movimentado milhões de reais antes dos 23 anos de idade, embora declarasse renda modesta. Também foi identificada uma empresa com capital social de apenas R$ 1 mil responsável por movimentações milionárias.
Para a Polícia Civil, os elementos reunidos indicam que havia divisão de funções entre os integrantes da organização, desde a divulgação das falsas oportunidades de investimento até a movimentação dos recursos obtidos com as fraudes.
Os investigados poderão responder por estelionato eletrônico, associação criminosa, lavagem de dinheiro e manutenção de esquema de pirâmide financeira. As investigações continuam para identificar novos envolvidos, localizar outras vítimas e rastrear o destino do dinheiro obtido pelo grupo.