Camila Costa
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As vias do Distrito Federal têm hoje 966 equipamentos eletrônicos de fiscalização (pardais e barreiras eletrônicas), responsáveis por mais de 1,5 milhão de multas por ano, que por baixo representam uma arrecadação de R$ 30 milhões aos cofres públicos. E parecem ter se tornado a principal opção do Estado para resolver as questões do trânsito, mesmo quando os problemas estão ligados a questões estruturantes de obras mal acabadas e ao grande número de veículos que hoje transitam na cidade.
Não é à toa que 72% dos brasilienses acreditam que eles não são a solução para colocar um ponto final na verdadeira guerra que se tornou o trânsito brasiliense. Os dados fazem parte de uma enquete realizada pelo portal Clicabrasília, do Grupo Jornal de Brasília, e são reforçados por especialistas ouvidos pela reportagem, após o anúncio do GDF de instalação de mais 35 pardais na Estrada Parque Taguatinga Guará (EPTG) e outros oito no Eixão.
“É preciso tomar cuidado para que esta medida não seja um pretexto para aumentar o faturamento”, indica o professor de Engenharia Civil da UnB, Dickran Berberian, especialista em patologia de estruturas. Ele explica que o Eixão e a EPTG são pistas de escoamento rápido e diminuir a velocidade de tráfego nas vias seria aumentar o caos dos engarrafamentos. Fora isto, o grande problema não estaria na velocidade. “Na maioria dos acidentes podemos incluir problemas de execução, talvez de projeto, mas, a não ser que haja problemas comprovados com os pardais que já existem, não justifica o aumento”, avalia Berberian.
In loco
O professor já esteve na EPTG e garante que os problemas estão na estrutura. Seria preciso, segundo ele, manutenção a cada chuva. “Tem falha com as encostas que por falta de estabilidade das baias leva terra para a pista, que entope desde a drenagem mais profunda e causa as poças. Somadas ao óleo que junta na pista na época de seca, é um crime duplo”, aponta. “É possível que a população entenda como maneira de criar uma máquina de fazer dinheiro”, finaliza o professor.
A instalação de mais pardais na EPTG e no Eixão foi anunciada depois que 21 pessoas morreram em acidentes de trânsito nas duas rodovias, só no ano passado.
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